Quem assistiu ao jogo entre Bauru e Franca ontem à tarde, no Ginásio Panela de Pressão, já podia perceber a diferença entre as duas equipes na Primeira Divisão do basquete feminino. Sem um time profissional que dispute campeonatos pela cidade durante toda a temporada, Bauru recorreu a uma equipe montada apenas para os Jogos Regionais e Abertos, e que não teve tempo sequer para treinar. Mesmo assim, as meninas comandadas pelo técnico Dante Rossini Júnior lutaram até o fim.
A partida terminou em 61 a 40 para as francanas, e com três derrotas, o time de Bauru está eliminado do torneio. A equipe, aliás, é composta por atletas de diversas regiões, que vieram à cidade apenas para os Jogos Abertos. Somente a ala Mariana e a armadora Luana são bauruenses, e a primeira sequer atuou nas três partidas, devido a uma conjuntivite.
A situação do feminino contrasta de maneira gritante com o basquetebol masculino, que hoje disputa a final da Liga Sul-Americana, na Panela de Pressão, e pode conquistar seu primeiro título internacional. “O masculino se estruturou e grandes empresas apoiam o projeto. Temos que buscar nosso espaço no feminino também e tentar retomar a modalidade na cidade”, destaca Rossini.
De família
Luana Silveira, única jogadora natural de Bauru a atuar, é sobrinha de Matilde Silveira, ex-roupeira da seleção brasileira de basquete feminino, e do massagista Fumaça, do E.C. Noroeste. Filha de Ari Silveira, conhecido no futebol amador da cidade, a atleta tem esperança de dias melhores do basquete feminino. “Eu tenho orgulho em poder representar Bauru. Minha tia tem uma história no basquete feminino, meu tio também no Noroeste. A gente não conseguiu treinar antes, e isso é uma dificuldade a mais, pois cada uma tem seu estilo de jogo. Mesmo assim, atuamos com garra”, cita. “Eu estou só no basquete, mas não treino, joguei apenas os Regionais e Abertos, quem sabe Bauru possa ter um time o ano todo”, comenta Luana.
Sonho
A armadora carioca Danúbia dos Santos Barbosa foi um dos destaques de Bauru ontem, ao anotar 10 pontos. “Eu conheço o Dante (treinador) da época em que eu estava na seleção cadete e ele era o auxiliar do Antonio Carlos Barbosa. Agora ele me chamou para compor o grupo dos Regionais e depois nos Abertos”, menciona a jogadora, de 29 anos. “Fiquei seis anos parada, estou retomando no basquete, e quero retornar ao profissionalismo, e lá no Rio de Janeiro praticamente não tem basquete feminino profissional”, declara, demonstrando como a modalidade ainda sofre com falta de apoio mesmo nas regiões mais desenvolvidas do Brasil, como o eixo Rio-São Paulo.
“Infelizmente acabou para a gente (os Abertos). Nosso time foi o único que disputou sem treinar, veio cada jogadora de um canto e já jogamos. Estou disputando o campeonato estadual no Rio de Janeiro, mas são apenas cinco equipes”, relata Danúbia.
Retomada
O técnico Dante Rossini Jr. pretende levar projetos ao governo estadual para que a cidade volte a ter um time competitivo no feminino, tanto no adulto como na base. No passado, Bauru teve atletas como Suzete, Simone, Jacy Guedes, além do treinador Antonio Carlos Barbosa. “Bauru é uma cidade com tradição no basquete feminino, chegamos a ser a base das seleções juvenis no passado. A intenção é ter uma equipe fixa disputando, por exemplo, o Campeonato paulista, até para chegar de forma competitiva nos Jogos Regionais e Abertos. Existem projetos do Estado que preveem abatimento fiscal para empresas que apoiam o esporte, então precisamos correr atrás de projetos. Em âmbito municipal também vamos tentar através do Fundo Municipal de Esportes”, detalha o treinador. A última vez que Bauru teve um time Adulto de basquete disputando a elite estadual foi em 2006. Na época, os jogos eram no Ginásio Duduzão (FIB), e o elenco contava com a ala Palmira, ex-jogadora da seleção, sob o comando do próprio técnico Dante Rossini.