Bauru recebeu cerca de 20 mil visitantes durante a edição 2014 dos Jogos Abertos. Foram atletas vindos de 224 cidades inscritas para as Olimpíadas Caipiras, que brilharam, lutaram e encantaram nas competições divididas entre os dias 17 e 29 de novembro, em locais de competição (distritais, ginásios, etc) espalhados pelos quatro cantos da cidade e diversos bairros.
Com os atletas, a cidade também recebeu as equipes de apoio, profissionais dos bastidores esportivos responsáveis pela alimentação, manutenção, limpeza dos uniformes e demais ações rotineiras e fundamentais para o bom rendimento dos competidores. São homens e mulheres que deixam suas famílias em casa para cuidar, com carinho e profissionalismo, dos “filhos do esporte”.
A Escola Estadual Azarias Leite, no Jardim Carolina, foi o alojamento da delegação de Jaú. Entre as modalidades disputadas pelos meninos e meninas: futebol, damos e xadrez. E para garantir a energia de centenas, quem entrou em campo foi o casal Cláudio e Marcia Regina de Souza. Com a ajuda de mais uma cozinheira, o casal alimentou cerca de 350 pessoas durante os 11 dias de estadia em Bauru.
E para alimentar os competidores, diariamente foram cozidos 10 quilos de arroz e três de feijão. Sem citar os quilos e mais quilos de carne, legumes, verduras, frutas... Tudo dividido entre o café da manhã, almoço, jantar e café da noite. Um trabalhão que valeu a pena, segundo Cláudio.
“O trabalho é muito grande, sim. Deixamos nossas duas filhas em casa, mas valeu a pena porque a gente acaba virando pais desses meninos, principalmente dos menores, que ficam o tempo todo junto com a gente”, aponta Cláudio.
E por falar em trabalho, a rotina dos cozinheiros pedia despertador às 5h. E o repouso só vinha às 23h. “Graças a Deus foram dias bons. Tivemos contato com os professores e funcionários da escola e com as crianças do bairro, que vieram até a escola conversar com a gente. A polícia também nos deu apoio e a segurança se fez presente. Bauru foi bem receptiva”, conclui.
Dentro ou fora das quadras, eles ‘vestem a camisa’
Você já parou para pensar que, quando um time ou mesmo atletas individuais defendem medalhas, outros membros das delegações trabalham para deixar tudo em ordem?
Washington Baselotto integra a equipe da cidade de Cerquilho, que trouxe atletas para as disputas de vôlei, capoeira, handebol e kickboxing. Ao lado de mais um integrante, ele desempenha a função de roupeiro, ou seja, cuida dos uniformes dos 30 esportistas que vieram de Cerquilho e encontraram abrigo na Escola Estadual Professor Moraes Pacheco, no Jardim Kalil, região do Bela Vista.
“Ao todo, somos cinco pessoas na equipe de apoio. Temos o respeito de todos, porque nosso trabalho é muito importante para manter o funcionamento de tudo. Os atletas fazem a parte deles e nós fazemos a nossa, aqui. Assim, o time fica completo”, garante Washington, que há cinco anos acompanha atletas do seu município em competições.
As histórias que os caseiros contam
Quando o assunto é a interação dos atletas com a comunidade bauruense, ninguém melhor para falar do que os caseiros das escolas que serviram como lares temporários para os esportistas das 224 cidades inscritas nos Jogos Abertos.
Quem falou sobre o tema com a reportagem foi o simpático casal Paulo e Leonice Rosante de Oliveira, residente na Escola Estadual Professor Moraes Pacheco, no Jardim Kalil, região da Bela Vista.
Caseiros há dois anos na escola, eles contam estar maravilhados com os visitantes e dizem já sentir saudade da movimentação das equipes abrigadas pela unidade, entre elas, vindas das cidades de Cerquilho e Tatuí.
“Esses meninos e meninas do esporte são pessoas muito bem educadas. Fizemos amizade com todos eles. Pena que já foram embora. Eles nos chamavam para jantar com eles e íamos. Depois de comer, ficámos até tarde conversando com eles. Ouvindo suas histórias e contando as nossas”, garante dona Leonice.
Já “sei” Paulo diz que chegou a reencontrar um amigo do passado, da época em que trabalhou em São Paulo. “Ele veio como apoio da equipe de Tatuí. Relembramos nossas histórias. Os meninos dos jogos são histórias à parte. Muito atenciosos com a gente. Um deles até nos deu um panetone quando veio se despedir”, sorri ao dizer.