Éder Azevedo/Arquivo |
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Público anual do Botânico quase triplicou em três anos; fotógrafos apontam que os trabalhos tornaram local mais conhecido |
Têm causado polêmica e reações negativas as novas regras que disciplinam o funcionamento do Jardim Botânico de Bauru, publicadas em decreto da semana passada, assinado pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Elas já estão em vigor e estão mobilizando, principalmente, profissionais que promovem ensaios fotográficos no local, muito comuns envolvendo noivos e até famílias.
A categoria não é, no entanto, o único grupo de pessoas afetadas. Ficar sem camisa, mesmo nos ambientes abertos, está proibido. Os piqueniques, além de estarem permitidos apenas em determinadas áreas, não podem acontecer sem prévios agendamento e autorização quando envolverem mais de 15 pessoas.
A necessidade de agendamento, aliás, é um dos pontos que mais incomoda os fotógrafos. Agora, para realizar os ensaios de seus clientes, eles precisam estar e marcar horário junto à administração do Botânico. Cada grupo não poderá ter mais de seis pessoas, entre modelos e equipe técnica. Também não serão permitidos mais de quatro grupos simultaneamente no local.
O fotógrafo e cinegrafista Miguel Filho se manifestou contrariamente às novas regras pelo Facebook e dezenas de profissionais do ramo aderiram às críticas pela rede social. “Já é difícil conseguir arrumar os horários só com o clientes, tendo que conciliar com a disponibilidade do Jardim Botânico, vai complicar ainda mais. Acredito que devam existir regras para os espaços públicos, mas essas proibições estão muito exageradas”, avalia.
Outra antiga crítica da categoria é horário de funcionamento do local: das 8h às 16h. Miguel explica que a luz do sol do fim da tarde é a ideal para os ensaios fotográficos e que, antes do decreto desta semana, eram feitas fotografias dentro dos espaços onde são criadas algumas espécies, como as orquídeas. “Era a solução para a luz forte do sol. Agora, fica inviável. Foi o trabalho dos fotógrafos, com os primeiros ensaios, que tornou o Jardim Botânico mais conhecido da população. Em Bauru, temos muita dificuldade em conseguir um espaços públicos bonitos e seguros”, pontua Filho.
Também está vedada a utilização de bolos, balões, bandeiras, bexigas e qualquer outro tipo de adereço para compor os cenários para os ensaios fotográficos. Até os buquês de flores estão proibidos.
“Tem um tipo de ensaio muito comum em que bebês colocam a mão e comem os bolos. O resultado é sempre muito bonito. Também não será mais permitido. Parece que estão querendo afastar as pessoas do Botânico, na contramão do que acontece em tantas outras cidades”.
Diretor defende mudanças contra abusos
Luiz Carlos Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico de Bauru, afirma que as reações negativas surgiram por conta da confusão sobre a real e primeira finalidade do local: a conservação de espécies vegetais e a promoção de consciência urbana.
“Ele não foi pensado para atender os profissionais de fotografia e nem é um parque urbano, como o Vitória Régia. Talvez isso aconteça por causa da falta de áreas verdes e públicas na cidade”.
Segundo ele, a necessidade de regulamentação do uso do Botânico se deu em razão do crescimento de visitantes. Há três anos, eram 25 mil, em média. Já 2014 deve terminar com publico aproximado de 70 mil pessoas.
“As regras não foram criadas de um dia para o outro ou aleatoriamente, mas para nos adequarmos a uma nova realidade. Elas foram construídas a partir da observação dos funcionários ao longo dos anos”, ressalta Neto.
O diretor do Botânico diz que, durante os últimos meses, mais de 100 fotográficos que realizaram ensaios no local foram cadastrados e chamados para a apresentação do novo regulamento. No entanto, apenas 20% deles compareceram à reunião. “Há, inclusive, profissionais que concordam com ele. Ninguém está proibindo os ensaios. Só queremos ter controle”.
Neto relata alguns abusos para justificar determinadas vedações, como o fechamento dos prédios onde determinadas coleções botânicas são expostas para que modelos trocassem de roupas. Além disso, alguns ensaios, realizados nas trilhas, atrapalhavam as visitas em grupo. “Por isso, entendemos que eles devem ocorrer só até as 11h em domingos e feriados. São nesses dias em que o fluxo é maior”.
Perigo
Especificamente sobre os ensaios de bebês com bolos, o diretor do Jardim Botânico explica que há registros de casos em que as crianças foram colocadas em risco. “Vi fotos dos saguis comendo o bolo junto com elas, que poderiam ser mordidas. Além disso, alimentar animais silvestres é proibido e estavam dando açúcar para eles”.
Outro problema é que havia o costume de os pais dos bebês limparem-nos nos banheiros do Jardim Botânico. “Deixavam uma sujeira danada. Claro que nem todos os fotógrafos faziam isso. Mas não adianta um agir de forma correta e outros nove, não”.
Quanto aos buquês, Neto explica que não há cabimento misturar plantas vivas em local destinado para a preservação de espécies.
