Política

PT faz críticas ao governo Rodrigo

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A primeira reunião do PT de Bauru após a eleição de 2014 foi marcada pela busca por explicações para o mau desempenho da sigla nas urnas da cidade. Dilma Rousseff (PT) ficou em terceiro lugar no primeiro turno da corrida presidencial e terminou o segundo com apenas 38% dos votos válidos. A conjuntura municipal, porém, também foi discutida pelo diretório, que focou as críticas na relação entre o partido e a administração Rodrigo Agostinho (PMDB).

Integrantes da corrente Esquerda Marxista, capitaneada pelo vereador Roque Ferreira (PT), defenderam o rompimento da sigla com o governo, que tem Estela Almagro (PT) como vice-prefeita, duas secretarias e outros 20 cargos comissionados, segundo informações difundidas durante o encontro.

O parlamentar citou que o governo federal destinou à cidade mais de R$ 2 bilhões em recursos, incluindo o setor de habitação, a verba para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e o PAC Pavimentação. “Trouxemos o dinheiro para inflar o Rodrigo e ele retribuiu com um chute”, afirmou.

A ala majoritária do PT evitou que a proposta, que incluía a entrega dos cargos na administração, fosse colocada na pauta dos encaminhamentos.

Contudo, o próprio presidente do partido, Claudinho da Construção, não poupou críticas ao prefeito. “Nós temos feito a nossa parte. O Rodrigo é que não faz a dele”.

O próprio secretário de Agricultura, Chico Maia, que integra o primeiro escalão do Palácio das Cerejeiras, fez duros apontamentos pelo fato de as bandeiras históricas da sigla não se refletirem nas políticas do governo de coalizão, encabeçado pelo PMDB.

A atuação do secretário municipal de Esportes, Roger Barude, filiado do partido e ausente no encontro, também foi questionada. “A pasta é ou não é de indicação do PT? Porque eu gostaria muito de que nós pudéssemos discutir uma política municipal do setor com a nossa cara”, pontuou Maia.

Roque Ferreira ponderou que se o PT pretende continuar no governo, deve permanecer com autonomia e altivez para discutir pontos importantes, como as políticas de saúde pública.

Militantes petistas presentes no encontro relembraram ainda a falta de engajamento de Agostinho na campanha de Dilma

Também foram criticados a vice-prefeita e o vereador Sandro Bussola (PT), que não participaram do encontro. “Eles têm que prestar contas”, bradou um filiado petista.

2016

A reunião de ontem definiu que a partir de fevereiro do ano que vem o PT promoverá reuniões mensais em todos os primeiros sábados do mês para discutir, dentre outros assuntos, a posição do partido no governo e a sucessão a Rodrigo Agostinho, em 2016. As principais lideranças apresentam pensamentos divergentes também acerca desse último tópico.

Tanto Roque quanto Estela acreditam que o partido, invariavelmente, deve lançar candidatura própria ao Palácio das Cerejeiras. Já o presidente Claudinho da Construção sinaliza favoravelmente a esse entendimento, mas acredita que a sigla precisa construir um nome viável para que não saia ainda menor do próximo processo eleitoral.

“Temos bons quadros, mas eles precisam ser trabalhados e amadurecidos”, alegou, antes de elencar a vice-prefeita e o ex-vereador José Carlos de Souza Batata (PT) como alternativas.

Já Sandro Bussola demonstra resistência para discutir o pleito de 2016. Oficialmente, ele argumenta que ainda é cedo para iniciar as articulações. Contudo, o parlamentar é muito próximo de lideranças do PMDB e até do PSDB e prefere não fechar as portas para eventuais – e improváveis – composições eleitorais.

Câmara

Durante a reunião, também foi discutida a eleição para a presidência da Câmara Municipal, marcada para o dia 15 de dezembro. Diante da impossibilidade de Bussola buscar a recondução ao cargo e da resistência do parlamento ao nome de Roque Ferreira, o diretório definiu que não participará diretamente da disputa, mas apresentará uma plataforma com propostas que serão negociadas junto a eventuais candidatos.

Militantes propuseram que a sigla vetasse, de antemão, o voto de vereadores petistas a candidatos do PSDB e do PPS, que encabeçam a oposição ao PT no governo federal. A proposta, no entanto, foi rechaçada pela maioria dos presentes diante da complexidade e da volatilidade dessa eleição.

Aceituno Jr.

Diretório do PT em Bauru definiu reuniões mensais para o ano de 2015, quando a permanência do partido no governo municipal será discutida e votada

 

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