Tribuna do Leitor

Adoro receber bons ensinamentos


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A questão da água e da falta dela estão na pauta do dia do bauruense. Na Câmara dos Vereadores foi aprovado um projeto de lei estabelecendo multas para o munícipe pego em flagrante delito lavando sua calçada com mangueira. Certo ou errado isso? Cheguei até a considerar a medida como correta, mas a revi após receber uma lição sobre o assunto. Como não me canso de aprender, repito aqui o aprendizado recebido.

Só dois vereadores votaram contra o projeto. Com um deles me encontrei na feira no último domingo, o petista Roque Ferreira, e numa roda de conversa eis que o assunto vem à baila. Perguntam-lhe dos motivos dele não ter sido favorável. Explicou e como me convenceu, repito aqui o que disse, porém com minhas palavras, portanto, sem aspas, mas mantendo sua ideia e linha de pensamento. Lavar a calçada não é o maior problema e não o eliminaremos coercitivamente e com uma lei draconiana. Cada caso é um caso e quando analisado à luz da razão e do bom senso, todos possuem algum motivo para continuar tendo essa prática. E como fazer Justiça (com J maiúsculo?) nesse caso?

Daí o melhor da coisa. Quem mais possui, mais tem e mais gasta, isso inerente ao ser humano e em tudo à nossa volta. Com a água não é diferente. O pobre já é penalizado de várias formas, aqui só mais uma delas. O mais abastado, o proprietário de casarões com altos muros na cidade, esses gastam horrores lá dentro e pouco ficamos sabendo, pois ninguém presencia nada. Por detrás dos seus muros, piscinas e muitas jacuzzis espalhadas pela casa. Alguém acha que o rico não vai esvaziar a água de sua Jacuzzi quando outro membro da família for tomar banho? Claro que sim, reutilizar é que não vai, daí a injustiça.

O que é visto lavando sua calçada é penalizado e pode até estar gastando pouca água, mas outros, sem serem vistos, podem estar gastando os tubos de água e não são alcançados pelo tacão da lei. Daí a pergunta: por que não uma lei estabelecendo para cada usuário uma cota mês de acordo com a especificidade de cada situação e quando ultrapassada, daí sim uma multa? Na reincidência outra e mais outra. Talvez até uma graduação pela quantidade ultrapassada. Daí a derradeira e tormentosa pergunta: você acha que, com todos os interesses em questão, algo assim seria aprovado por nossa tão laboriosa Câmara de Vereadores?

Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).

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