João Rosan |
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Ação da lagarta: pés ficam mais claros e sem as folhas |
A mariposa é um inseto inofensivo aos olhos humanos, mas, em revoadas, detêm potencial capaz de acabar com produções inteiras e gerar prejuízos milionários aos produtores rurais. Refém de um desequilíbrio ecológico, causado principalmente pelo uso excessivo de produtos químicos nas lavouras - que diminuiu seus predadores, como passarinhos e abelhas -, uma revoada de mariposas trouxe para a região de Bauru uma imensidade de lagartas.
Nos últimos sete dias, em uma propriedade no bairro Barra Grande, no distrito de Tibiriçá, cerca de 12 hectares de pés de mandioca, aproximadamente 60% de toda a produção, foram destruídos pelas lagartas.
A planta não morre, mas, como esses insetos ingerem todas as folhas, é preciso muito mais amido, água e energia para a reposição, o que acaba deixando a raiz dura e imprópria ao consumo humano “in natura”.
Somente nesta propriedade, perdas de quase 200 toneladas foram estimadas. O total deve refletir em prejuízo de quase R$ 100 mil ao produtor, que abastece duas das grandes redes de supermercados em Bauru.
Reflexo?
O reflexo da perda produtiva, contudo, não deve chegar ao consumidor final, conforme garante o produtor José Carlos Zorzi, de 62 anos. “Temos contrato de exclusividade com esses dois grandes supermercados e entregamos cerca de três mil caixas de 20 quilos por mês. Não podemos não entregar o produto ou aumentar o valor agora. Se faltar, vamos atrás de outros produtores para repassar”, comenta o produtor.
“Sem duvida, essa é a praga mais agressiva que já tivemos por aqui, Já chamei até um benzedor, mas não teve jeito, teremos que arrendar outra área e começar tudo outra vez”, lamenta Zorzi, que atua há mais de 10 anos no ramo.
Ele explica que parte dessa produção perdida irá para a indústria de insumos para a produção de farinha, por exemplo, mas o valor de mercado é menos de um quarto do que da raiz vendida inteira.
“Vendemos ela embaladinha à vácuo. Ganhamos exclusividade justamente pela qualidade da mandioca, que fica molinha ao ser cozida. A natureza falou mais alto dessa vez, mas não temos o que fazer, a agricultura é um negócio indefinido mesmo. A sorte é que conseguimos colher parte da produção antes das lagartas começarem a agir”, completa Zorzi.
Na lavoura, a ação das lagartas é facilmente notada pela coloração mais clara dos pés de mandioca, que ficam sem folhas ou só com os caules à mostra.
Alerta!
A Secretaria Municipal da Agricultura (Sagra) solicitou à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) um estudo e lança alerta aos produtores de toda a região para que invistam no controle biológico, principalmente nas culturas de mandioca, soja, amendoim, abóbora, melancia e batata doce.
Marcelo Ryal, que é engenheiro agrônomo da Sagra, afirma que o controle deve ser feito pelo Baculovírus, organismo biológico, que mata das lagartas.
“Não recomendamos o controle químico. O uso de defensivos químicos em lavouras na região colaborou para que houvesse esse descontrole. A quantidade de pássaros e abelhas que atacavam essas lagartas reduziu demais”, aponta.
Os agricultores interessados em adquirir o Baculovírus e informações mais detalhadas sobre o assunto devem procurar a sede da Secretaria da Agricultura no Distrito de Tibiriçá.
Serviço
A Sagra em Tibiriça fica na rua Carmelo Zamataro, sem número. O telefone é: (14) 3279-1218.
