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Obra paralisada revolta mutuários

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Construtora que iniciou obras em residencial de Dois Córregos paralisou os trabalhos antes da conclusão

Os mutuários que adquiriram imóveis no Residencial Edilberto Pereira Coimbra, em Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru), por meio do programa federal Minha Casa Minha Vida, estão revoltados com a paralisação das obras, que já dura cerca de seis meses. Eles reclamam da falta de informações por parte da Caixa, responsável pelo empreendimento, e do desrespeito ao prazo de entrega, que vence este mês.

O residencial, com 101 unidades, foi lançado em outubro de 2012. Os interessados tiveram que fazer inscrição, aguardar análise da renda e participar de sorteio na quadra municipal. Uma das contempladas, que pediu para ter a identidade preservada, conta que, em outubro de 2013, assinou o contrato de financiamento com a Caixa.

“Começaram a vir os descontos da Caixa, a gente começou a pagar tudo certinho e a obra estava andando de vento em popa. De repente, parou. E já vai fazer seis meses”, reclama. “O que nós ouvimos é que a empresa de engenharia que estava tocando a obra faliu”.

Segundo a mutuária, o contrato assinado com a Caixa prevê que, em caso de paralisação do serviço por mais de 30 dias, sem justificativa, a construtora deverá ser substituída, o que não ocorreu. Ela revela que, no mês que vem, começa a ser descontado o financiamento.

“Pagamos a taxa de construção todos os meses, mas não se constrói nada naquele local. Pelo contrário, só cresce mato e buraco. E sem contar os postes caídos e os materiais perdidos”, afirma. “Como é que a gente vai pagar uma coisa que a gente ainda não está tendo?”.

Prazo

De acordo com a compradora, na última vez em que conseguiu contato com representante da Caixa, ela foi informada de que a construção das casas seria retomada após a Copa do Mundo. “Eu estou esperando até hoje”, diz. Ela alega que tentou conversar novamente com ele, mas não foi atendida.

Enquanto aguarda a entrega do imóvel, que deveria ocorrer até o fim deste mês, a mutuária está morando de favor nos fundos da residência da sogra, em uma edícula com três cômodos. Os presentes do casamento, segundo ela, estão todos amontoados em um canto da casa. “É uma vergonha, pois casei em novembro pensando em ter minha casa”, desabafa.

“Pessoas que procuram programas habitacionais do governo, como Minha Casa Minha Vida, geralmente são carentes e não conseguem a casa própria por outros meios. Nós esperamos ansiosos a solução desse problema, que é vergonhoso, humilhante e desumano, pois a maioria está pagando aluguel e taxa de construção sem ter condições para isso”.


Nova empresa

A assessoria de imprensa da Caixa informou que acionou seguro visando à contratação de nova empresa para conclusão das obras. “A Caixa ressalta que os mutuários já foram formalmente comunicados, por meio de correspondência, e que a obra encontra-se, atualmente, sob vigilância contratada pelo banco”, declara.

O banco esclarece que o novo cronograma de obras e a nova previsão de entrega só poderão ser divulgados depois que a empresa for contratada e salienta que a prestação integral, com parcela de amortização, só terá início após efetiva entrega das unidades habitacionais.

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