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Ondas atmosféricas provocam seca

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Um estudo inédito realizado pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMEt), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Bauru, aponta que o posicionamento errado de dois fenômenos climatológicos, chamados de ondas atmosféricas, foi responsável pela seca que atingiu o Sudeste, especialmente a região de Bauru, nos meses de outubro e novembro.

Responsável pela pesquisa, o meteorologista José Carlos Figueiredo, que atua há mais de 20 anos no órgão, afirma que os dois fenômenos, também chamados de sistemas de grande escala, registraram atrasos de deslocamento, implicando diretamente na falta de chuvas.

“As estações chuvosas ocorrem quando esses sistemas estão na posição climática correta. Mas o sistema que era para estar no nordeste do Brasil, no final de setembro ainda estava na África. E o sistema que era para estar na Bolívia estava no Chile”, afirma Figueiredo.

Eles têm que estar nessas posições específicas para possibilitar a vinda da umidade amazônica para o Sudeste do Brasil.

‘Natural’

O meteorologista sustenta, porém, que tal congruência de fenômenos não  é inédita e nem influenciada pelos comportamentos humanos em relação ao desmatamento, como pregam algumas correntes de ambientalistas e cientistas.

“Já houve episódios desse tipo no passado. É um efeito natural. O problema é que, hoje, sentimos muito mais porque a população aumentou muito e ainda estamos dependentes de fontes de água superficiais. Não deveria ser assim”, frisa o meteorologista. “Desde dezembro do ano passado, esse fenômeno vem ocorrendo”, completa.

Neste ano, outubro registrou acumulado de chuvas na ordem de 37,3 milímetros, quando o esperado era que chovesse ao menos 117 milímetros. O menor índice desde 2006, quando o acumulado foi de 7,4 milímetros.

Novembro também ficou abaixo da média, com 116,6 milímetros, quando o esperado era que chovesse acima de 148 milímetros.

O estudo, que levou em consideração os dados registrados pelo próprio IPMet, focou as cidades que, assim como Bauru, registraram chuva abaixo da média no mês de outubro. Avaré, Barretos, Campos do Jordão, Franca, Lins, Sorocaba, Itapeva, São Carlos, Iguape e São Paulo, também compõem a pesquisa.

Em tempo: em novembro, apenas Bauru, Campos do Jordão e Iguape não conseguiram alcançar a média de precipitação esperada. Fenômeno que chamou a atenção do pesquisador e motivou a elaboração do estudo.


Verão chuvoso!

Apesar dos números desanimadores dos últimos meses, a expectativa para o verão é positiva. “O sistema já chegou à Bolívia e o outro está com o centro em Minas Gerais e subindo para o Nordeste. Agora, tudo deve se normalizar. A média de chuvas para o verão será alcançada. Ficaremos na média ou até acima dela nos próximos meses”, ressalta Figueiredo.

Até ontem, a precipitação acumulada de dezembro era de 10,1 milímetros, mas a expectativa é de que, no mês todo, chova até 217 milímetros.

Para janeiro, o acumulado médio esperado é de 290 milímetros e para fevereiro de 200 milímetros.


Abaixo da média

Apesar da expectativa positiva em relação ao verão, vale ressaltar que o índice anual de precipitação continua abaixo da média. Desde 1999, o acumulado anual tem ficado abaixo da média histórica do órgão, que é de 1.570 milímetros. Em 2014, até agora, o acumulado do ano foi de 903 milímetros.

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