Política

UPAs com médicos até o fim do ano?

Vinicius Lousada com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Se é um presente de Natal ou apenas uma promessa de Ano Novo, o tempo irá dizer. Mas o secretário de Saúde, Fernando Monti, acredita que até o final deste ano chegarão ao fim as interrupções dos serviços nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) por falta de médicos. O problema é recorrente, especialmente aos sábados, domingos e feriados.

A solução seria consequência do início da operação da Fundação Regional de Saúde que, finalmente, conseguiu recrutar quantidade razoável de profissionais, por meio de chamamento público, para atuarem na UPA da Bela Vista. Monti, que também é presidente do Conselho Curador da entidade, afirma que o número de interessados chegou a 33.

Na primeira tentativa de contratação de médicos, apenas 11 se inscreverem. Até o dia 21 de novembro, eram só 17, sendo que a unidade depende de pelo menos 20 profissionais para o preenchimento, com razoável tranquilidade, de todas as escalas de plantão.

O número foi calculado a partir da quantidade de profissionais pactuada para cada turno na UPA: três para o período diurno (das 7h às 19h) e dois para o noturno (das 19h às 7h).

A remuneração desses médicos será de R$ 1.500,00 por cada plantão de 12 horas. Valor semelhante é pago aos médicos concursados da prefeitura (R$ 1.429,00) que cumprem plantões extraordinários da rede de urgência.

Esses profissionais não terão vínculo trabalhista com a fundação ou com o município. O edital de chamamento convida profissionais interessados em atuar em regime de plantões pela modalidade de pessoa jurídica.

Consequências

O secretário garante que até o fim de dezembro esses médicos, contratados pela Fundação de Saúde, já estarão atuando na UPA do Bela Vista, a maior delas em Bauru. Dessa forma, mais profissionais concursados da prefeitura estarão disponíveis para a redistribuição das escalas entre as unidades do Geisel, Ipiranga, Mary Dota, além do Pronto-Socorro Central e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

“Esse é o cenário com o qual estamos trabalhando: tirar o Bela Vista da carga dos médicos da secretaria e dar fim à interrupção nos atendimentos em todas elas”, confirma Monti.

Testes

Entre hoje e amanhã, e no próximo final de semana, os 33 médicos serão submetidos a exames de proficiência que avaliarão o preparo desses profissionais para o atendimento a casos de urgência e emergência.

O processo será conduzido pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e não terá caráter eliminatório. “Quem não conseguir se habilitar poderá fazer cursos ou treinamentos e, depois, fazer o exame novamente”, diz Fernando Monti.


Unidades fechadas

Por conta da falta de médicos, a UPA Bela Visa terá atendimento suspenso das 7h de hoje até as 19h de domingo. Amanhã, das 7h às 19h, todas as demais unidades – Geisel Ipiranga e Mary Dota – também estarão fechadas.

Atualmente, há déficit de 70 médicos para a cobertura dos atendimentos na rede de urgência e emergência da Secretaria Municipal de Saúde, que engloba o Pronto-Socorro Central (PSC), quatro UPAs e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Essa defasagem é coberta com os plantões extras.

No entanto, os profissionais, alegando exaustão, têm se recusado a cumpri-las, especialmente nos finais de semana e feriados e, por consequência, ficam suspensos os atendimentos nas unidades.

Todas as sextas-feiras, a Secretaria de Saúde divulga as unidades e os horários em que os atendimentos serão suspensos aos finais de semana. O secretário Fernando Monti, no entanto, entende que o quadro atual é melhor do que o de alguns meses atrás.

A pasta montou uma equipe com a atribuição de organizar a escala e, recentemente, aumentou em 33%, com anuência da Câmara Municipal, a remuneração pela jornada regular dos médicos da rede de urgência e emergência, com o intuito de estimular a categoria a cumprir maior número de plantões extras, pelos quais receber R$ 1.429,00 por 12 horas de trabalho.

 

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