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Comemorar o Natal?

Sidney Francese Fernandes
| Tempo de leitura: 2 min

É tamanha a disparidade entre os ideais do Cristo e o mundo atual que chegamos à triste conclusão de que, talvez, nada tenhamos a comemorar em mais um Natal. A lembrança da grande noite parece de harmonia distante e irreal. As recordações de Natal soam como surreais.

Os apelos revolucionários de extremistas, a corrida armamentista, as intolerâncias religiosas, os ataques contra inocentes, a indiferença diante de dores, o desrespeito para com a natureza e as guerras motivadas por superficialismos materiais inviabilizariam quaisquer comemorações.

Felizmente essas são apenas partes, as piores de um todo que merece análise mais profunda. A mídia operaria, no entanto, em melhor sentido, se direcionasse o foco do seu sensacionalismo para os progressos do espírito humano. E nem precisaremos caminhar muito para resgatar a fé admirável dos libertadores princípios cristãos. Os mantenedores da esperança estão por toda a parte.

- Dedicados irmãos de várias crenças ou mesmo sem vinculação religiosa; - médicos que se aventuram - como os Médicos sem Fronteiras - por países desconhecidos, enfrentando contaminações em países pobres ou em guerra;

- Empresários do mundo inteiro que se sensibilizam com a dor alheia, como é o caso Bill Gates, um dos fundadores da Microsoft, que distribui uma parte considerável de seus ganhos para diminuir o sofrimento de populações carentes;

- Anônimos que se unem na madrugada, levando alimentos, apoio, medicamentos ou simplesmente uma palavra de carinho a dependentes químicos que se alojam sob os viadutos ou lugares ermos.

Eles decidiram que não têm direito de guardar suas vidas só para eles mesmos. Todos, amigo leitor, não esperam o Natal para serem bons ou para praticarem a filantropia. Fazem-no durante o tempo todo.

Temos, sim, muitos motivos para comemorar o aniversário de Jesus. Se de um lado existe uma minoria barulhenta que insiste em atrapalhar e provocar dor, do outro lado temos uma considerável parcela da população mundial que se constitui num verdadeiro exército de criaturas de boa vontade, honrando os ditames do Cristo.

Pesquisas para curar a Aids, para controlar o autismo, vacinas para prevenir doenças antes mortais, são tão importantes quanto um simples prato de merenda escolar que hoje é tão comum nas escolas do mundo inteiro.

O mundo está muito melhor. E ficará melhor ainda se cada um de nós passar a participar desse exército de criaturas de boa vontade, que melhoram as condições de vida da humanidade. A árvore mais linda do nosso Natal deverá contar com as nossas luzes, ainda que inicialmente bruxuleantes, de fraco brilho e de trêmulas cintilações.

Com o esforço dos homens de boa vontade, que tiverem coragem de glorificar Deus com seus exemplos de paz e amor, essas luzes se tornarão cada vez mais fortes e intensas, à medida que persistirmos no permanente esforço de tornar o mundo melhor. Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens (Lucas 2:14).

O autor é advogado, escritor, conferencista e colaborador de Opinião

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