Política

Prefeitura pede coleta seletiva já

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan

Paulo Yamamuro, da Semma, e Nico Mondelli, da Emdurb, pedem para população separar o lixo

Com a proximidade das festas de fim de ano, o volume de lixo produzido em Bauru chega a aumentar até 10%. Grande parte desses resíduos são compostos por materiais recicláveis, que vão direto para o aterro sanitário, sem qualquer reaproveitamento.

Preocupada com a falta de consciência ambiental da população e com a iminência de o aterro chegar a seu limite, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) faz um apelo: os moradores precisam começar a fazer a coleta seletiva em suas residências. Atualmente, os caminhões que recolhem material não orgânico passam uma vez por semana em cada bairro. No Centro, a coleta é feita diariamente.

“Acreditamos que, das cerca de 310 toneladas de lixo produzidas em Bauru todos os dias, metade  seja de material reciclável. Mas, hoje, apenas 9 toneladas são efetivamente separadas e recolhidas pela coleta seletiva”, lamenta o presidente da autarquia, Nico Mondelli.

Isso implica em dizer que apenas 3% de todo o lixo recolhido na cidade é, de fato, reaproveitado. A Emdurb manifesta o desejo de elevar este índice, no curto prazo, para 10% e, até 2018, chegar a 20%.

O fim do ano pode ser um bom momento para Bauru começar a mudar sua conduta e buscar estas metas. De acordo com a autarquia, entre dezembro e janeiro, o volume de lixo recolhido aumenta cerca de 10% na cidade, já que embalagens de presentes, eletrodomésticos e alimentos se multiplicam nas lixeiras das residências.

Como não são descartadas nos dias de coleta seletiva, acabam sendo recolhidas como lixo orgânico. Além de prolongar a vida útil do aterro, que já está praticamente saturado, a maior adesão à reciclagem também contribuiria para gerar mais emprego e renda nas três cooperativas existentes em Bauru.

“Hoje, elas estão subaproveitadas. Teriam condições de dobrar a quantidade de lixo processado, de 9 toneladas para 18 toneladas diárias”, analisa o diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Paulo André Zuwicker Yamamuro.

Adequações

O mesmo, segundo ele, ocorre com os caminhões de coleta, que poderiam comportar mais lixo do que o recolhido atualmente. É evidente, contudo, que a Emdurb e as cooperativas não teriam condições estruturais para receber, de um dia para outro, todo o volume de recicláveis descartados na cidade.

Mas Mondelli acredita que as adequações ocorreriam naturalmente de acordo com o aumento gradual da demanda. “Fizemos um processo seletivo no último domingo para a contratação de mais coletores e também poderíamos aumentar o número de caminhões. E sabemos que já há pelo menos duas novas cooperativas interessadas em se credenciar no ano que vem. O que falta, mesmo, é participação da população”, comenta.

A partir de 2015, a Emdurb também planeja ampliar de 80% para 100% a área de abrangência da coleta seletiva, que hoje exclui regiões mais afastadas do Centro, como o Núcleo Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwiges, Vale do Igapó e Distrito de Tibiriçá, entre outros.

  • Serviço

  • Para saber os dias em que a coleta seletiva é feita em seu bairro, basta acessar o site www.emdurb.com.br e clicar no item “ambiental”. Informações sobre como os condomínios devem proceder podem ser obtidas pelo telefone 3233-9079, com Karen.


    Aterro terá diagnóstico até o início de 2015

    Após 21 anos de uso, o aterro sanitário de Bauru está próximo do limite  e, até agora, a prefeitura ainda não definiu para onde será destinado o lixo produzido pela cidade nos próximos anos. Segundo a administração municipal, a resposta só poderá ser dada após conclusão de uma série de estudos, o que deve ocorrer até o início de 2015.

    Entre as possibilidades consideradas, está a ampliação ou o alteamento (aumento da altura da última camada) do aterro. As manobras, associadas à redução do volume de lixo descartado no local, poderiam garantir mais dois anos de vida útil ao espaço – e não mais um ano, como estimado inicialmente.

    O estudo abarcará, ainda, um laudo a ser emitido pelo Comando Aéreo Regional (Comar), já que o aterro fica na rota dos aviões que pousam e decolam do Aeroporto Moussa Tobias e há risco de colisões com urubus. A partir da divulgação do levantamento, a prefeitura deverá elaborar um projeto e um relatório ambiental preliminar para, então, solicitar um novo licenciamento da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) que permita explorar, por exemplo, áreas do entorno do aterro ainda não ocupadas.


    Emdurb tenta mobilizar condomínios residenciais

    Para ampliar o volume de lixo reciclável destinado às cooperativas, a Emdurb vê como fundamental a mobilização dos condomínios residenciais. A estimativa é de que existam cerca de 400 construções desta natureza na cidade, mas poucas fazem a separação dos resíduos.

    “Identificamos, até o momento, apenas quatro, ou seja 1% do total”, comenta Valcirlei Silva, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que é parceira na iniciativa.

    A gerente comercial da Emdurb, Karen Cesarino, lembra que cerca de 105 mil moradores de Bauru – o equivalente a quase um terço da população - vivem, hoje, em condomínios. A adesão deles à coleta seletiva, segundo ela, seria suficiente para dobrar o volume de recicláveis processados pelas cooperativas.

    “E nem precisaria ser de 100%. A quantidade de resíduos que sai dos condomínios é realmente expressiva”, considera. Equipes da Emdurb têm prestado orientações presenciais aos condomínios interessados em aderir à proposta.

    Mas informações sobre como proceder podem ser obtidas pelo telefone 3233-9079. A autarquia pede para que os condomínios também façam contato assim que iniciarem a segregação do lixo nos empreendimentos residenciais.


    Compostagem

    A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra) também estuda uma maneira de implementar, de maneira experimental, a compostagem de lixo orgânico em Bauru. Inicialmente, o processamento seria feito com os resíduos descartados pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) local. A secretaria recebeu uma emenda de R$ 250 mil para a construção de um galpão para dar início à experiência e começar a produzir adubo orgânico. O projeto, no entanto, ainda não saiu do papel.

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