Polícia

Motociclista morre após acidente com três veículos

Marcus Liborio e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Vítima teve um dos braços e uma das pernas dilacerados

Mais um motociclista perdeu a vida no trânsito bauruense. Na manhã desta segunda-feira (8), a colisão entre carro, van e moto na quadra 11 da avenida Rosa Malandrino Mondelli, Jardim Chapadão, região do Mary Dota, resultou na morte de Marcelo de Brito, 29 anos. Ele, que, segundo a polícia, não era habilitado, teve o braço e a perna dilacerados após colidir contra um Corsa Sedan. O carro, de acordo com testemunhas, ultrapassava uma Sprinter, em local proibido. O motociclista foi arremessado entre os dois veículos.

A vítima foi socorrida consciente e encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC), porém, perdeu muito sangue, não resistiu aos ferimentos e morreu no início da tarde. De acordo com informações da Polícia Civil, Marcelo não possuía habilitação. A morte dele foi a 31.ª no trânsito de Bauru só neste ano. Desse total, 18 eram motociclistas, quase 60% dos casos.

Conforme a reportagem apurou no local com testemunhas e a polícia, a autônoma Maria Elisa Dutra, 56 anos, seguia pela avenida Rosa Malandrino Mondeli em um Corsa/Sedan, placas de Bauru, no sentido Bairro-Centro, quando tentou ultrapassar a van, em um trecho de duas faixas, ou seja, proibido transcender. Testemunhas disseram que o motociclista trafegava no sentido contrário e conduzia uma Honda/CG 150, placa de Bauru.

Marcelo teria tentado desviar pelo meio dos dois veículos, mas colidiu na lateral direita do carro e foi arremessado contra a van, vindo a cair a cerca de 15 metros do local da batida. De acordo com o 3.º sargento do Corpo de Bombeiros Natanael Silva, a vítima foi socorrida consciente, mas em estado grave.

O acidente mobilizou uma viatura de resgate dos bombeiros e duas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo uma delas de Unidade de Suporte Avançado (USA). Uma equipe da Polícia Militar (PM) preservou a área para o trabalho de perícia técnica. O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, ou seja, quando não há intenção de matar. Contudo, a ocorrência ainda será investigada pela Polícia Civil.

‘Não vi a moto’

Maria Elisa Dutra, condutora do Corsa, conseguiu parar o veículo a cerca de 50 metros do acidente. A roda direita do carro chegou a sair do eixo de tão forte o impacto da batida. “Olhei para ultrapassar, mas não vi a moto”, relata a mulher ainda abalada. “Não deu tempo de tirar o carro. Fui freando devagar, porque achei que o rapaz estava embaixo da roda”.

Questionada sobre a irregularidade da ultrapassagem, ela disse que não se lembrava do local exato onde que realizou a manobra. “Não sei se era permitido a ultrapassagem ali”, argumenta.

Ela e o motorista da van não se feriram. Os dois foram ouvidos pela Polícia Civil no período da tarde.

Contudo, Maria Elisa teria dado outra versão. Segundo BO, ela alegou que a moto vinha em contramão e, inclusive, afirmou que haveria outra motocicleta no local. A testemunha disse, porém, que a história é inverídica. 

Fiança

Após ouvir as partes, o delegado plantonista Renzo Santi Barbin ratificou a prisão em flagrante de Maria Elisa Dutra. Ela pagou R$ 5 mil de fiança e responderá em liberdade.

Mortes

Dados levantados pela Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) dão conta de que o trânsito bauruenses já possui 31 mortes só em 2014, contra 23 do ano passado. Do total de óbitos deste ano, 18 eram motociclistas, o que corresponde a quase 60% dos casos. Já no ano passado, 12 condutores de motocicleta morreram vítimas do trânsito de Bauru.


‘O Marcelo sonhava em ter um casal de filhos’

Com a tragédia, Maria Lázara de Brito, mãe da vítima, estava bastante chocada. “Ele havia acabado de sair da minha casa quando aconteceu o acidente”, conta.

Maria vive no Mary Dota e o filho dela morava com a esposa e o sogro no Bauru 2000.

“Ele vinha me ver todos os dias, porque trabalhava em uma marmitaria bem perto de casa”, acrescenta a mãe.

Marcelo não tinha filhos, mas deixou a mãe, o pai, oito irmãos e a esposa. “Marcelo estava apaixonado e sonhava em ter um casal de filhos”.

O velório é realizado no Centro Velatório Terra Branca do Mary Dota, sala 2. Já o enterro, no Cemitério da Saudade, não tem horário definido.

Chamava pela mãe

O condutor da van, Lindolfo Barbosa Filho, 64 anos, levava o veículo, que pertence a uma transportadora de Bauru, à oficina quando ocorreu o acidente. Ele contou que nunca viu uma cena tão chocante em toda vida. “Depois que o motociclista foi lançado, a moto ficou em cima do meu parabrisa e só caiu depois que eu freei”, relembra.

Lindolfo conta que, quando desceu do veículo, viu o rapaz de bruços. Ele teria rolado e conseguido se sentar. “O rapaz chamava pela mãe o tempo todo”, acrescenta o motorista da van.

O motociclista, inclusive, havia acabado de sair da casa da mãe quando sofreu o acidente.

Marcelo (no detalhe) foi arremessado da moto

 

 

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