Cultura

Esse merece estátua!


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Bruno de Lima/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Esculpida em bronze, a escultura fica na orla de Ipanema, perto das pedras do Arpoador, onde o músico gostava de pescar

Foi inaugurada ontem uma estátua do ídolo da bossa nova, Tom Jobim. A data marca 20 anos da morte do compositor. A estátua de bronze fica na orla de Ipanema, debaixo de coqueiros, perto das pedras do Arpoador, onde o músico gostava de pescar.

Ela mostra um Tom Jobim jovem caminhando em direção ao Leblon com um violão no ombro. “Escolhi um Tom no auge, quando ‘Garota de Ipanema’ explodiu no mundo, ele tocava com o Sinatra”, diz a escultora, Christina Motta, que também é autora da famosa estátua de Brigitte Bardot na orla de Búzios.

Ela se baseou numa foto do compositor na inauguração de Brasília, 1960. Na imagem, ele caminha com o violão nas costas ao lado de seu maior parceiro, Vinicius de Moraes. A posição da estátua tem um motivo prático, explica Christina.

“O pano de fundo é muito importante, na instalação de uma escultura, para as pessoas terem um cenário bonito para fotografar. Além disso, achei muito óbvio fazer o Tom olhando para o mar”, diz ela.

Estavam presentes a viúva, Ana, e os filhos de Tom Jobim, Paulo e Maria Luiza. “Vai ser muito simpático passar pelo meu pai”, disse Paulo, antes de Ana e Maria Luiza retirarem o pano que cobria a estátua. Num poste de luz perto da estátua foi instalada uma câmera de segurança para evitar vandalismo.


Sertanejo

Uma das duplas mais adoradas da música sertaneja, Chitãozinho & Xororó preparam homenagem ao maestro Tom Jobim. Os dois regravaram clássicos do lendário cantor e compositor brasileiro. Garota de Ipanema, Ligia, Águas de Março e Eu Sei Que Vou Te Amar são algumas das músicas que estarão presentes no novo disco, que chegará às lojas no começo do ano que vem.


Jobim deixou alguns monumentos musicais

Antonio Carlos Jobim forjou ao piano um Brasil pleno, cioso de seus homens e de sua natureza, um país destinado a ser feliz. A utopia jamais se realizará, mas Tom, por infeliz coincidência, morreu no momento em que ser Brasileiro - o que ele era já no sobrenome - reconquistava dignidade, desviando-se da tristeza que parecia sem fim dos 30 anos anteriores, os da ditadura militar, de Sarney, de Collor.

Nos últimos 20 anos, o Brasil ganhou moeda estável, fortes avanços sociais e democracia firme. Tom não pôde ver isso. Morreu num 8 de dezembro, em 1994, num hospital de Nova York, por complicações após cirurgia para retirar um câncer na bexiga. Tinha 67 anos.

Como já se disse bastante, não foi por acaso que a bossa nova surgiu no final da década de 1950, quando uma lufada de otimismo soprou no país, insuflando também o cinema, o teatro, as artes visuais.

A bossa nova é uma invenção de João Gilberto, e Tom sempre ressaltou isso. Mas são suas as melodias que embalaram aquele enlevo nacional. Elas nos projetam num estado de encantamento que não soa apenas individual, mas cívico.

Entretanto, ainda que sem jamais perder a ternura, Tom também tocou e chorou o país das décadas seguintes. “Sabiá”, “Olha Maria”, “Matita Perê”, “O Boto”, “Saudade do Brazil”, “Passarim”, “Borzeguim” e mesmo “Águas de Março” são canções do exílio físico (em parte feitas ou gravadas nos EUA) e existencial.

Villa-Lobos

O Brasil que, em nome de um suposto progresso, destrói a si mesmo (os bichos, as terras, as águas, os índios, a inteligência, a civilidade, sua riqueza cultural) é mostrado nessas e em outras músicas. Em se tratando de Tom, os lamentos não se dão com raivas e ruídos, mas em monumentos de beleza, nos quais convivem angústia e placidez. É nítida e significativa a influência de seu ídolo Villa-Lobos.

Tal como nos anos dourados da bossa nova, mas em outro registro, aponta-se o caminho do país - e o fim do caminho. “Sabiá” tem letra de Chico Buarque e “Olha Maria”, de Chico e Vinicius de Moraes. Os 20 anos da morte de Tom vêm se somar a efemérides dos seus parceiros: os 70 anos de Chico em junho passado; o centenário de Vinicius em outubro de 2013.

 

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