Mais de 20 toneladas, cerca de 600 metros cúbicos de plásticos e isopores. Essa é a estimativa de lixo retirado durante os últimos 15 dias pelos pescadores de Botucatu e região, dos 140 km de margens (70 km de cada lado) da represa de Barra Bonita, trecho entre Botucatu, Anhembi e São Manuel banhado pelo Rio Tietê. Todo material retirado das margens do rio é enviado à Cooperativa de Agentes Ambientais de Botucatu, que realizam sua triagem e, posteriormente, é revertido em renda para os cooperados.
O trabalho foi concluído no sábado (6), no bairro Rio Bonito. Como prêmio, as empresas envolvidas repassam aos pescadores cerca de R$ 10 mil. Esse recurso vai para o reembolso do combustível utilizado durante a coleta do lixo e reparos nas embarcações e compra de novas redes. Esta ajuda é bem vinda aos pescadores nesta época do ano, uma vez que de novembro a fevereiro ocorre a piracema, período de reprodução dos peixes no qual a atividade de pesca fica restrita.
Edvandro Soares de Araújo, presidente da Colônia de Pescadores Z-20 de Barra Bonita, que abrange 220 municípios do Estado, conta que a iniciativa só tem gerado benefícios à categoria. “Aumentou o volume de lixo coletado porque temos mais estrutura. As empresas repassam o dinheiro da gasolina e o que sobra é dividido entre os pescadores. Quanto mais limpo estiver o rio é sinal que teremos um peixe mais saudável para ser distribuído na região”, diz.
Carlos Augusto Mendes, gerente da agência Cetesb em Botucatu, afirma que todo esse lixo retirado do rio poderia demorar centenas de anos para se decompor junto à natureza. “O plástico, por exemplo, não deixa o Sol penetrar nas águas, causa uma eutrofização das águas, e daí você tem uma oxigenação menor, causando sérios danos aos organismos vivos”, explica.
Gustavo Henrique do Nascimento, Tenente da Policia Militar Ambiental – região Botucatu, conta que durante todo o ano são realizadas operações para coibir crimes ambientais. “Pessoas que são pegas poluindo os rios são multadas e conduzidas à delegacia. Mas o que queremos com essa ação de limpeza é despertar a consciência coletiva, pois o lixo nos rios atrapalha a navegação, a pesca, o turismo e lazer”, argumenta.