A CPFL Paulista cortou a energia da Ajax por volta das 2h da madrugada de ontem. Cerca de 180 funcionários que trabalhavam na fábrica de baterias naquele momento foram pegos de surpresa, já que a previsão era de que o desligamento ocorresse durante a manhã. Todos os empregados foram dispensados do trabalho.
A empresa alega que o corte contraria regra prevista em resolução normativa de 2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O texto estipula que essas medidas sejam executadas apenas em dias úteis e em horário comercial, das 8h às 18h.
Advogada da Ajax, Sílvia Regina Rodrigues informa que o setor jurídico tomará as medidas cabíveis para contestar o desligamento.
Na manhã de ontem, o engenheiro Anylton Antonio registrou boletim de ocorrência, representando a empresa. Ele relata que o setor operacional funcionava plenamente no momento do corte, o que provocou a parada abrupta dos equipamentos.
A Ajax ainda não sabe quais danos podem ter sido provocados às máquinas, mas seus representantes observam que muitos trabalhadores que as operavam no instante do desligamento da energia foram expostos a diversos riscos.
O impasse gira em torno da imposição de multa e penalidades impostas pela CPFL, que acarretariam em despesas mensais de R$ 1,3 milhão pelo período de cinco anos. A dívida – contestada pela empresa – chega ao montante de R$ 80 milhões. O valor não inclui o consumo de energia da Ajax, que, no mês de setembro, foi faturado em R$ 522.698,66.
A CPFL diz que já negociou com a Ajax por duas vezes em menos de um mês e que não pode deixar de efetuar o corte, por se tratar de uma medida prevista pela Aneel, que regula o setor energético no Brasil.
O risco de demissão de 1.100 empregados da indústria em Bauru tem mobilizado diversos setores da sociedade. A discussão repercutiu na última sessão da Câmara Municipal, quando vereadores cobraram maior compromisso social da empresa distribuidora de energia. O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) e o federal Arnaldo Jardim (PPS) também prometem se empenhar.
RECUPERAÇÃO
Além dos problemas com o desligamento da energia, as dificuldades estruturais da empresa vão além. A Ajax passa por recuperação judicial e seus funcionários reclamam da falta de pagamento de parte dos salários de novembro, que venceu na última semana, e do décimo terceiro salário, cuja primeira parcela deveria ter sido quitada em novembro.
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e Região, Cândido Augusto Gonçalves Rocha, declarou em recente entrevista ao JC temer que os trabalhadores sejam usados como “escudo” para os problemas da empresa.