Divulgação |
|
|
Voluntários do projeto realizam plantio coletivo em Bauru
|
Uma proposta de valorização do espaço urbano coletivo mobilizou ativistas e professores em Bauru. Trata-se do Projeto Fruto Urbano, que é independente e tem como objetivo principal incentivar e facilitar o plantio de árvores frutíferas pela cidade, respeitando as características específicas de cada vegetação. A iniciativa também visa reduzir o calor, já que os espaços com sombras devem aumentar.
O projeto começou com os irmãos Miguel e Khalil Axcar, no início do ano. Eles percorreram pontos da cidade procurando espaços sem o plantio de árvores. De acordo com estimativa do próprio projeto, Bauru conta com aproximadamente cinco mil faces de quadra que precisam de árvores, além de cerca de 200 praças e espaços públicos elegíveis para plantio. Estima-se que existe a necessidade inicial do plantio de 14 mil árvores no município.
A ambição dos fundadores é que o projeto se torne referência nacional para o plantio de árvores em contextos urbanos. A estrutura atual conta com vários embriões de núcleos locais autônomos em outras cidades e planos de expansão para, no futuro, ser possível cobrir os custos de plantios coletivos por todo o Brasil.
“Nós ainda temos dificuldade por falta de recursos. Mas é algo que pode facilmente ser expandido em todo País através de grupos locais, formados em cada cidade. Isso depende da necessidade dos municípios e consciência das pessoas. A nossa intenção é que o projeto inspire outras pessoas”, disse Khalil.
No entanto, segundo ele, não há parceria ainda com órgãos competentes, como a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). “Nós necessitamos da aproximação e apoio do município. Seria muito importante para atingirmos a meta, pois o nosso trabalho é árduo e chegamos a guardar mudas de mais de um metro, pás, cavadeiras e regadores em um apartamento”, observa.
Possível parceria
Questionado sobre a iniciativa, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) afirmou que não conhece o projeto, mas disse estar disposto a debater as propostas e trabalhar junto na causa. “Temos um viveiro grande e uma produção boa de mudas. O mais difícil na cidade, hoje, é o trabalho de convencimento para que as pessoas respeitem mais a arborização. O bauruense não gosta de árvore. A maioria pede para cortar”, ressaltou.
Agostinho incentiva o plantio de frutíferas em canteiros e bosques, mas observa que, nas calçadas, gera reclamações e transtornos. “Junta muita sujeira, pode ocorrer acidentes como alguém escorregar e cair. Por isso, a maior parte da população pede para cortar a árvore”, explica.
“Precisamos incentivar as pessoas a não cimentar todo o quintal e deixar um espaço para o plantio de uma árvore frutífera, que vai servir de alimento para aves, que hoje passam aperto na área urbana sem comida”, finaliza o prefeito.
Plantio coletivo
Voluntários do Projeto Fruto Urbano farão um plantio coletivo hoje em Bauru. O grupo irá se reunir às 14h30 no Horto Florestal, onde serão definidos os pontos que receberão as árvores frutíferas. Estima-se de 15 a 20 mudas, e um dos locais do plantio deve ser em trechos do canteiro central da avenida Nações Norte.
Menos árvores, menos chuva
Estudos recentes indicam que o desmatamento da Amazônia é o responsável pela falta de chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Cada árvore amazônica lança, diariamente, 500 litros de água na atmosfera e a existência de clareiras de desmatamento interrompe o fluxo de umidade. Dessa forma, os “rios voadores”, termo utilizado para descrever a imensa umidade que abastece o sul do Brasil, não conseguem alcançar cidades como São Paulo.
