A uva é uma fruta que estará presente na maioria das mesas de festas neste final de ano. Um costume que persiste ao tempo e tem suas razões. A fruta é fonte de carboidratos, vitamina C, complexo B, sais minerais como ferro, cálcio e potássio. As mais escuras têm concentração maior de antioxidante, combate os radicais livres além de ser anticancerígena. Por essa e outras, as uvas deveriam estar presentes nas refeições diárias e não somente no final do ano.
As uvas cultivadas na região de Bauru são do tipo que amadurecem no final do ano, a Niágara de mesa e a alemã. Este é um dos motivos que nos levam a ingeri-las mais nesta época. Em Lençóis Paulista, a família Casagrande produz uva de mesa e a uva para vinho. Mais perto de Bauru, na divisa com Piratininga, duas propriedades estão cultivando a fruta.
Éder Azevedo |
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Washington Carlone Cacciolari verifica uva plantada em estância de sua propriedade na SP-294 |
Na Estância WR, a uva é cultivada em cerca. Em outra propriedade, também na divisa dos dois municípios, a uva é de barreira. A origem da uva, apostam alguns é no Egito, nas imediações do Rio Nilo. Há relatos bíblicos que dizem que Noé trazia em sua arca sementes de uva e as plantou assim que chegou em terra firme. Além dos benefícios da fruta, a casca da uva rosada contém resveratrol, uma substância cardioprotetora que ajuda no controle do colesterol e previne a trombose. A empresária Lucilia Diniz em sua página na Internet ensina um suco com uva e água de coco. As uvas máximas cultivadas por aqui dão origem ao vinho artesanal, produzido por um descendente de italiano que comercializa a bebida nas feiras livres da cidade. Ele aprendeu a confeccionar o vinho com seus avós em Lençóis Paulista.
Cassiolari também produz maçã do tipo Julieta e Erva. Por conta da estiagem prolongada ele vai colher a fruta fora de época, agora em dezembro. Os tipos permitem a produção em áreas mais quentes, precisam de períodos mais curtos de frio em comparação com a maçã cultivada no Sul do País.
A manga Palmer e Tommy são cultivadas por um produtor de Santelmo, bairro rural de Pederneiras. Este ano, a seca castigou as mangueiras. A produção será comercializada no Ceasa Bauru. O caqui ainda está no pé. Mas no começo do próximo ano será colhido e vendido no Ceasa de Bauru. O tipo cultivado nas proximidades de Piratininga é o Taubaté.
Seca dificulta a qualidade da uva
Há cinco anos o veterinário aposentado Washington Carlone Cassiolari plantou uns galhinhos de uva, como ele mesmo conta, que ganhou de um vizinho de sua propriedade rural entre Bauru e Piratininga. À época, ele colheu duas caixas de uvas. A fruta era tão boa que ele resolveu investir. “Eu não sabia nem fazer enxerto. Da primeira vez, uma pessoa veio fazer para mim. Plantei 50 pés. ”
Cassiolari ensina que a uva demora dois anos para gerar frutos. “No primeiro ano planta o cavalo e enxerta. No segundo ano começar a dar frutos. A poda é feita em agosto e na sequência, a planta solta os primeiros brotos com cachos. Vamos amarrando os brotos. Em dezembro os frutos estão do tamanho ideal e começam a amadurecer. Este ano, houve um transtorno muito grande para a agricultura em função da seca.”
Depois de cinco anos os quatro mil pés de uva vão gerar cerca de duas mil caixas da fruta. “Minha uva vai direto da roça para o consumidor. Vendo mais barato porque se for colocar no mercado, eles pagam pouco e eu fico sem lucro. O que mantém o sítio hoje é a uva, maçã e o boi. Planto uva Niágara de mesa e máxima para fazer vinho.”
As caixas de uva com a marca Cassiolari contém um quilo e meio de fruta. “Minha uva é de cerca, ocupa menos espaço. Acredito que este ano vou conseguir vender a R$ 10,00 a caixa. A colheita é feita manualmente e só se pode colher quando ela começa a madurar.”
Uva Máxima vira vinho
A uva Máxima plantada na mesma propriedade é destinada a confecção de vinho artesanal. A bebida produzida no ano passado será vendida este ano. Descendente de italiano, Cassiolari aprendeu com o avô a amassar a uva e fazer o vinho. “A diferença entre os vinhos artesanais e os fabricados em grandes empresas é a durabilidade. O artesanal dura de dois a três anos apenas. Para a venda de final de ano tenho 300 garrafas do tipo tinto seco e suave e rose. A comercialização é feita na feira.
Maçã Julieta
São 200 pés de maçã sendo que a cada 10 pés de Julieta tem uma do tipo Erva. “Tem que plantar duas mudas para ocorrer a polinização cruzada. A tipo Erva é mais comprida que a Julieta, que é mais arredondada. Essas espécies foram desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná.” Este tipo de maçã, segundo Cassiolari, tem sabor acidulado, meio azedinha e tem um diferencial, precisa só de 200 horas de frio, enquanto que a maçã do Sul do Brasil precisa de 1.500 horas. Por isso, essa espécie está sendo plantada na Bahia e Goiás. A estiagem também prejudicou a plantação. “Já era para ter colhido tudo, mas sem chuva descontrolou. Tem maçã madura, algumas em crescimento e flores que ainda não geraram frutos. Devo colher mais ou menos 10 mil quilos de maçã. Vendo nas feiras a R$ 7,00 o quilo.”
Morador de Botucatu vai colher uva alemã
O casal Francisco e Neide Volpe Martinez, moradores de Botucatu, começaram a plantar uva alemã há seis anos, quase por acaso. “Ganhei uma muda de um senhor que mora aqui perto. Eu passei na rua e vi a parreira dele que estava linda, lotada de cachos de uva.”
A muda foi plantada e a partir de então, o casal passou a procurar informações sobre como cultivar a fruta. “Todo ano colho muita uva, nunca pesei e há três anos contei os cachos, eram 830. Nunca mais contei. Deve ter muito mais este ano, porque ela expandiu.”
Sob a parreira, conta o morador, ocorrem os almoços de domingo e reflexões sobre a vida. “Fazemos macarronada e comemos embaixo da parreira. Nos finais de tarde, sento embaixo dela, tomo uma cerveja e olho que não tem quase folha é só cachos.”
A produção, quase profissional, é motivo de visitas dos parentes que moram em Bauru. “Quando as uvas ficam maduras avisamos os parentes, amigos e doamos aos vizinhos porque a fruta não é grande, mas dá muito. É doce e isso atrai as pessoas. Quando fomos ao Chile vimos enormes plantações. Aqui são dois pés num espaço de mais ou menos 60 metros quadrados na rua Justino Miranda Camargo, 1098.”
Uva de parreira está sendo cultivada na divisa de Bauru-Piratininga e colheita vai até janeiro
Nelson Hideki e a esposa Elaine Regino Gasparotto plantam uva Niágara de mesa para vender no final do ano. Fruta preferida na mesa dos brasileiros nesta época, a uva plantada na divisa de Bauru com Piratininga “viaja” para inúmeros lugares do País, pois é entregue no Ceasa. São quatro mil pés plantados no sistema de caramanchão.
O aroma sentido embaixo da enorme parreira é algo indescritível. O cheiro doce toma conta da gente e não há como não apanhar um fruta e levar a boca. As abelhas se deliciam. Olhar os cachos de uva amadurando é uma sensação maravilhosa. Alguns mais verdes, outros no ponto. A primeira colheita já foi feita e de agora em diante, assim que elas vão amadurecendo serão colhidas. “Vendemos no Ceasa. Próximo do Natal colocamos pontos de venda em Bauru.”
Elaine Gasparotto frisa que este ano a fruta não se desenvolveu como deveria por conta da estiagem prolongada. “A colheita prossegue até a 2ª semana de janeiro.”
Origem
A manga Palmer tem vermelho intenso quando está madura. Seu sabor é acentuado para o doce e o caroço é pequeno. A origem dela é norte-americana. A polpa é consistente e os tons amarelados indicam que está amadurecendo. A manga Tommy veio da Flórida. Sua casca é grossa. Ela é tida como uma fruta rica em antioxidante por possuir alto conteúdo de vitaminas.
Santelmo tem manga tipo Tommy e Palmer
O Sítio Vista Longe, município de Pederneiras, mais precisamente no bairro de Santelmo, existe um espaço com 700 pés de manga que até o final de janeiro vão gerar mais de duas mil caixas da fruta. A colheita, que já começou, dura cerca de dois meses e é manual.
Um dos proprietários da propriedade rural, Ranube Gasparotto, conta que plantou os 700 pés de mangas Tommy e Palmer há oito anos e que cada um deles deve gerar aproximadamente três caixas de fruta. “As caixas, padrão, contém de 25 a 30 quilos. Para fazer esse peso é necessário de 30 a 40 mangas selecionadas. Aquelas que têm algum machucada não são vendidas. Colho na roça e no mesmo dia elas chegam ao Ceasa. O forte nosso é de segunda e de 5ª feiras. Do Ceasa elas são distribuídas para toda a região. Não vendemos direto para o consumidor, por isso, acredito que a fruta seja aquela usada em sorveterias, restaurantes, mercado e quitandas existente em Bauru e região.”
O produtor explica que a colheita é manual e feita várias vezes durante dois meses mais ou menos. “A colheita tem que ser feita conforme a fruta começa a madurar. Ela não pode estar verde e nem muito madura, então vamos colhendo de acordo com o amadurecimento. A manga tem que estar dura, porém começando a madurar. Começamos a colher em dezembro e vamos até o final de janeiro ou começo de fevereiro.”
Gasparotto acha que o consumo da fruta em nossa região ainda é pequeno. “Não sei se o consumidor não gosta de descascar a manga, mas o consumo é pequeno, a venda é difícil. Nossa produção é pequena perante a outros produtores e grande para nossa região, porque o consumo é pequeno.”
Ele confessa que não come muita manga, mas o seu sócio e irmão, come bastante. “Meu irmão vem ajudar na colheita e vire e mexe ele está comendo. Ela é muito saborosa e colhida na roça tem um sabor atípico, porque soma-se o aroma da plantação.
O tratamento com as mangueiras é simples, na opinião do produtor. “Terminou a colheita, tem que fazer a poda, geralmente em fevereiro ou março. Na florada tem que passar veneno para que os frutos não se contamine com as pragas. O fruto não tem veneno porque a pulverização é feita de dois a três meses antes dele aparecer. Uma mangueira dá fruto a partir dos dois anos e continua gerando frutos até uns 40 anos”, ensina.