Política

Faria Neto vai presidir a Câmara de Bauru no próximo biênio

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Com 9 votos, na disputa com o maior número de candidatos dos últimos anos, Faria Neto (PMDB) foi eleito presidente da Câmara Municipal, na noite de ontem. Membros do grupo que viabilizou a vitória do peemedebista ocuparão, durante o próximo biênio, os demais cargos da Mesa Diretora do Legislativo de Bauru: Lima Júnior (PSDB) será o vice-presidente; Fabiano Mariano (PDT) o primeiro secretário e o atual chefe do parlamento, Sandro Bussola (PT), será segundo secretário.

 

Moisés Rossi (PPS) recebeu cinco votos; Natalino da Pousada (PV), dois; e Roque Ferreira (PT), um.

 

Após a abertura da sessão para a eleição, os trabalhos foram interrompidos por três horas até que as negociações e articulações cessassem. Apoiadores de Faria Neto esperavam que sua escolha transcorresse de forma mais tranquila, pois no último sábado as bancadas do PMDB, PSDB, PT e PDT haviam anunciado a adesão à candidatura. Os quatro partidos lhe garantiriam os nove votos necessários para a obtenção da maioria entre os 17 vereadores.

 

Contudo,  na tarde de ontem, embasado em uma plataforma com propostas para a condução da Câmara Municipal, Roque Ferreira (PT) formalizou sua candidatura, contrariando decisão interna da Executiva municipal do PT, que orientava o voto em Faria Neto, registrada em ata na manhã de ontem e assinada, inclusive, por membros de sua corrente no partido, a Esquerda Marxista.

 

Sem o voto de Roque, o grupo formado em torno do peemedebista passou a contar com apenas oito apoiadores, o que não garantia a maioria para a disputa. 

 

Os aliados de Faria, no entanto, articularam a adesão de Roberval Sakai (PP) à candidatura de Faria. O pepista, até então, participava do time adversário e atribuiu a mudança à falta de definição acerca de quem, de fato, seria o candidato do seu grupo original. Até o momento, Raul Gonçalves Paula (PV), Carlão do Gás (PR) e Rossi postulavam o cargo.

 

A partir desse momento, Faria já contava com os votos que o elegeram: além do seu, o de Purini, Bussola, Lima Júnior, Mariano, Sakai, Telma Gobbi (PMDB), Markinho da Diversidade (PMDB) e Fernando Mantovani (PSDB).

 

PRESSÃO

 

O outro grupo, porém, tentou reverter o jogo. Formado pelos parlamentares que deram sustentação ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para que, há dois meses, não vingasse a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara, eles decidiram apoiar Roque Ferreira, com o intuito de forçar o voto de Sandro Bussola colega da bancada petista.

 

A pressão, inicialmente, quase funcionou. Presidente do PT de Bauru, Cláudio da Construção acompanhou a sessão legislativa e tentou convencer Sandro a aderir à candidatura de Roque. “De manhã, decidimos seguir o Faria, mas naquele momento não tínhamos alguém nosso com chances. Agora, o cenário é outro”, argumentou, na tarde de ontem, em meio às tratativas.

 

Sandro Bussola, contudo, reiterou o apoio à candidatura que ajudou a construir nos últimos meses, embasado na decisão partidária no período da manhã.

 

‘Em nenhum momento fiz contato com prefeito’

 

Presidente eleito na noite de ontem, Faria Neto (PMDB) apostou na experiência e no extenso currículo político na hora de pedir votos aos colegas. Ex-prefeito de Avaí e vereador por quatro mandatos na Câmara Municipal de Bauru, ele citou que nunca ocupou qualquer cargo da Mesa Diretora. No discurso, o peemedebista também recorreu à sua origem humilde e sua luta pela democracia nos tempos da ditadura militar.

 

O vereador disse que, caso eleito, as portas de seu gabinete estariam sempre abertas a todos e enfatizou a necessidade de que o Legislativo atue de forma independente do Poder Executivo. “Em nenhum momento fiz contato com o prefeito”, declarou, referindo-se ao período de articulações para a sua eleição.

 

Após a votação, Faria declarou que trabalhará pela conciliação entre os grupos, mas agradeceu seus apoiadores que, segundo ele, o ajudarão a tomar as decisões para a administração da Câmara. O peemedebista lembrou ainda que a primeira rádio na qual trabalhou tinha a expressão “G-8” como prefixo; trata-se do mesmo termo referente ao grupo do qual originaram-se as articulações em prol do seu nome.

 

Em entrevista coletiva, o parlamentar garantiu que manterá o distanciamento de seu mandato junto ao prefeito, mas avisou que pedirá ao líder do governo, Markinho da Diversidade (PMDB), o agendamento de uma audiência com o prefeito para os próximos dias.

 

Faria advertiu que, em função da crise econômica, os próximos anos serão difíceis para Bauru. “Sou um cara brincalhão, mas bati a mão na mesa todas as vezes em que isso foi necessário”, pontuou.

 

O vereador se emocionou ao comentar a batalha judicial que enfrenta, junto aos colegas Fabiano Mariano e Fernando Mantovani. Os três tiveram seus mandatos cassados pelo Tribuna Regional Eleitoral (TRE-SP), mas permanecem em seus cargos enquanto os recursos não são julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Reação do Palácio

 

Com o apoio do grupo alinhado ao prefeito, Roque Ferreira poderia ter os votos de Raul, Natalino, Rossi, Carlão, Fábio Manfrinato (PR), Carlinhos do PS (PP) e Paulo Eduardo de Souza (PSB). O balde de água fria, no entanto, veio do Palácio das Cerejeiras. Inicialmente, Rodrigo Agostinho teria enviado recados, por meio de interlocutores, vetando o apoio de sua base à eleição de Roque, um dos mais vorazes críticos de sua administração. Posteriormente, o prefeito teria ligado para alguns vereadores pedindo o veto ao petista e, se fosse preciso, o voto em Faria Neto. Acatando as orientações do governo, Natalino decidiu lançar sua própria candidatura. Na tribuna, o verde afirmou que sua participação no pleito atendia a clamores da população das periferias. O racha no então chamado G-9 foi fundamental para que Faria Neto chegasse à presidência. Também assediado por Agostinho, Carlinhos do PS optou pela candidatura de Rossi, que foi votado ainda por Manfrinato, Carlão do Gás e Paulo Eduardo. Na tribuna, antes da votação, Moisés pregou a independência do Poder Legislativo e a harmonia interna. Já Roque Ferreira recebeu apenas seu próprio voto. 

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