Tribuna do Leitor

Privatização, corrupção e CPFL


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No final do século passado ocorreu a privataria tucana, mas eles tinham parceiros na Justiça para engavetar processos. Quanto aos efeitos aqui em Bauru, houve o extermínio de vários milhares de empregos, diretos e indiretos. A cidade virou o século com o desemprego na casa dos 20 mil trabalhadores (numa população menor que a atual) e empobreceu a olhos vistos.
O serviço de transmissão de energia elétrica, um bem de primeira necessidade, piorou, seja na iluminação pública, seja na interrupção de energia elétrica por problemas no sistema de transmissão da cidade. É comum a interrupção durar horas (chegou a ser de 4 horas numa das interrupções da região do J. Panorama). Mas o custo da energia elétrica para os moradores bauruenses aumentou bem acima da inflação. Não havia essa demora quando a CPFL era estatal e tinha uma grande base operacional em Bauru, além do que o custo da energia elétrica era menor.
Agora, para seu exclusivo interesse, a atual CPFL pouco se importa em exterminar 1.100 postos de trabalho na Ajax e, num requinte sádico, corta fornecimento de energia sem aviso prévio, aumentando ainda mais os danos causados. Tais coisas seriam impensáveis na CPFL estatal.
Já o PT no governo deu continuidade ao processo de privatizações e às práticas de corrupção. A diferença na questão da corrupção é que não encontrou parceiros na Justiça para engavetar processos.
O PMDB vai na mesma toada. Entre os vários casos do momento, está o de ungir, para a Presidência da Câmara dos Deputados, um deputado de suas fileiras envolvido fartamente com a corrupção, mas que conta com parceiros na Justiça, além das bênçãos da grande imprensa.
Saindo da esfera federal, no escândalo do metrolão tucano paulista, parceiros na Justiça já engavetaram os processos no que se referem aos políticos. Mas no restante houve indiciamentos na Justiça da Alemanha, França e Suíça, então alguma arraia miúda vai ter que ser condenada aqui, senão vai ficar esdrúxulo um processo judicial em que há corruptores mas não existem corrompidos.
Aqui na terrinha, vamos aguardar o que vai dar o julgamento da falcatrua tucana na Associação Hospitalar de Bauru. Em todas essas searas partidárias, o bordão dos chefes é sempre o mesmo: eu não sabia de nada. O fato é que, nos chamados grandes partidos brasileiros, abundam as semelhanças.

Geraldo A. Bergamo

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