Política

"O prefeito tem de ter muito juízo", diz Faria Neto


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Ricardo Ursulino/Divulgação

Reunião, ontem, na prefeitura, teve Rodrigo Agostinho, Estela Almagro, Lima Jr., Arnaldo Ribeiro, Sandro Bussola, Fabiano Mariano, Markinho da Diversidade e o presidente eleito Faria Neto

“O prefeito tem de ter muito juízo”. A frase é do vereador e presidente eleito para comandar a Câmara Municipal de Bauru no próximo biênio, Antonio Faria Neto (PMDB), eleito anteontem por maioria de votos para suceder a Sandro Bussola (PT) na função. Sintomática, a afirmação não vem com ar de “recado”. Faria não gosta desse estilo. Prefere exercitar a conversa, por mais dura que esta possa ser, prática que trouxe para o parlamento da “Sem Limites” do tempo em que foi prefeito em Avaí. Por isso ele foi visitar Rodrigo Agostinho ontem à tarde.          

 

      O prefeito sempre teve em sua bancada de partido no Legislativo de Bauru a figura experiente e habilidosa do baixinho Antonio Faria Neto (PMDB), mas nunca “enxergou” a necessidade de ouvi-lo. Em sua primeira entrevista como eleito para o comando da Mesa, concedida ontem pela manhã, à TV Câmara Bauru, Faria Neto não titubeou, advertindo que ou Rodrigo desce do pedestal e senta no divã da conversa linear, ou sofrerá turbulências para concluir seu segundo mandato como prefeito de Bauru.  

 

Por ironia ou não desta fase de incertezas vividas no País, será da experiência do ‘baixinho’ que Rodrigo poderá ter de se valer para dissipar tempestades que se avistam no horizonte dos próximos dois anos da vida política local. “O Rodrigo é muito centralizador. E o mar não está para peixe. O País e as prefeituras enfrentam uma situação difícil. Mas ele continua fazendo política sem falar, do jeito dele”, pontuou.  

 

Conciliador, o vereador aponta para o defeito sem deixar de reafirmar que “está à disposição para a cidade avançar”. “Se eu for considerar meus quatro mandatos, com esse que estou exercendo, a experiência que tive como prefeito de Avaí, posso dizer que ele nunca conversou comigo. O máximo foi uma ligação isolada quando a bomba já estava para estourar. Ele foi vereador, já está em seu segundo mandato como prefeito. Deveria ter aprendido a conversar!”, avaliou, na lata, Faria. 

 

Trajetória

 

O peemedebista que assumirá a presidência da Casa de Leis em Bauru em janeiro próximo carrega em sua trajetória política a experiência de exercitar muito diálogo com parlamentares, do tempo em que a pequena cidade de Avaí tinha muito pouco dinheiro para fazer e muito mais problemas a resolver, tem em seu currículo de quatro mandatos como vereador a bagagem de servir de ponte a embates duros na recente história da crise política bauruense – desde os tempos do ex-deputado federal e então prefeito Tidei de Lima na relação com o cartorário Trem Bala dos anos 90 -, passou por cargos em comissão em ex-estatal do Estado (Cesp) e, no atual governo, na Cohab-Bauru. É considerado, mesmo pelos adversários de ocasião, como leal, e não tem cintura dura, condição essencial para quem terá de gerir potenciais turbulências nesta fase de transição para o derradeiro mandato, de reeleição, de Rodrigo Agostinho (PMDB).

 

Bomba no colo...

 

“O Rodrigo, além de não conversar, não exercitar fazer política com conversa, ouvir o que o outro tem a dizer, ainda mandou muito projeto para a Câmara que tinha de ser aprovado no outro dia, com curto prazo. Isso é jogar a bomba no colo do outro, o que já causou muito ruído. Pelas dificuldades que estão passando o País e as prefeituras, se ele não mudar isso vai ter sérios problemas. E no final de mandato é muito mais difícil, porque quem está cansado pode pular antes do barco e quem está sem paciência pode querer tapar o ouvido”, advertiu.

 

Faria reafirma: “Vou ajudar, é claro, sou vereador da cidade onde mora minha família e quero que a cidade resolva seus problemas, avance. Mas eu não sou o prefeito. Quem tem de aprender a dialogar é ele. Eu quando era prefeito ia quase todo dia na Câmara, preparava os projetos mais difíceis com antecedência, reunia os vereadores e explicava. E tinha de ouvir sugestão, analisar sugestão de mudança, emendas. Faz parte da gestão política isso. O Renatinho (Purini) carregou o piano nas costas como líder do prefeito sozinho, todo mundo sabe disso. O prefeito não falava nada. Além disso, o Rodrigo não deu autonomia nenhuma para seu líder. Se ele continuar centralizador assim vai ficar com o timão do barco sozinho na mão. E isso é difícil, arriscado”, emendou.  

 

 

Total de vereadores

 

Jornalista, Faria Neto comemorou o fato coincidente de caber a ele consolidar o projeto de instalação da rádio FM Câmara digital, a primeira do País ligada ao projeto da rede pública de rádio e televisão. “Veja que presente, eu, como jornalista, comunicador, sempre achei que comunicação é fundamental para que as pessoas tenham oportunidade de acesso à informação em todas as frentes. A Câmara é plural pela sua própria natureza, não tem chapa branca aqui e nunca terá. Não existe mais essa coisa de fechar a boca, não poder falar. E vamos consolidar esse processo de uma rádio digital em FM que é pioneira para o País no Interior”, comentou.     

 

Ele abordou, ainda, que vai “ouvir as ruas” para se posicionar sobre eventual proposta de aumento no número de vereadores. A atual Câmara tem 17 cadeiras, mas a Constituição permite 23 parlamentares pela escala populacional. “Vou ouvir a rua, porque tem de saber qual é a opinião do bauruense a respeito disso. Mas como presidente também vou respeitar a posição que virá das bancadas. Vamos discutir o tema e, de minha parte, levando em conta a vontade da população”, disse.

 

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