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Lidar com dinheiro é mais emocional do que econômico

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Um economista afirmando que lidar com dinheiro e mais emocional do que econômico parece contraditório, mas não é. Quando falamos de finanças pessoais levamos em conta uma parte da economia chamada de comportamental. Observem que o estudo remete ao comportamento das pessoas: como lidam com o dinheiro, quais são seus hábitos de consumo, sua capacidade de utilizá-lo racionalmente ou não, entre outros.

Em uma sociedade em que há um exagero no consumo, fica evidenciado que os recursos escassos não serão capazes de atender todas as necessidades das pessoas. Por sinal, as necessidades, além de serem ilimitadas, são renovadas permanentemente. Não há o último celular, mas o mais recente. Um modelo de automóvel lançado hoje já sofre modificações para despertar o desejo do consumidor no futuro, induzindo à troca deste veículo. Além disso, há "mentes brilhantes" pensando em inovação, em o que fazer para lançar novos produtos ou ainda tornar os produtos atuais mais atraentes.

Como não se render a tantos apelos? Como dizer não aquilo que a sociedade apregoa: consuma, adquira o máximo de bens, acumule cada vez mais? Somente tendo uma nova atitude em lidar com o dinheiro. É, como colocado, a mudança comportamental. Faça um esforço para viver com simplicidade. Estabeleça seus limites e tenha coragem de dizer não ao exagero. Eduque os filhos nesta direção. Comece cedo a ensiná-los que em tudo há limites. Faça de tudo para adquirir o hábito de poupar. Trace metas, seja proativo, assuma verdadeiramente o controle de sua vida financeira.

A virada do ano sempre é um bom momento para rever o comportamento. Reforce o que está bom e mude que entende que não agrada. Reúna a família e trace planos financeiros em conjunto. Trace metas e comemore quando alcançá-las. Tem muita gente acreditando que o dinheiro compra a felicidade, mas na verdade compra no máximo divertimento. Confundem as coisas. Se finanças do lar fazem parte do estudo da economia comportamental, a dica é: avalie seu comportamento no tocante ao planejamento financeiro familiar e através de ações trilhe um caminho seguro que no fundo contemple melhoria da qualidade de vida.

Faça com o que o emocional esteja bem resolvido para que o racional do controle do dinheiro prevaleça. Verá que é possível fazer mais com menos e que é possível ser feliz sem ostentar.

O autor é economista e articulista do JC

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