Política

Relatório revela valor de móveis históricos na Câmara de Bauru

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A disputa pelo poder e o peso de comandar o Poder Legislativo de um município do porte de Bauru, sem dúvida, motivam o acirramento entre os vereadores na corrida pela presidência da Câmara Municipal. Na última segunda-feira (15), Faria Neto (PMDB) saiu vencedor da eleição, mas o que pouca gente sabe é que a cadeira na qual o peemedebista sentará todas as semanas para conduzir as sessões parlamentares está avaliada em R$ 15 mil.

 

O alto valor não é à toa. A poltrona é datada de 1943 e foi confeccionada na antiga marcenaria da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. O trabalho foi integralmente executado à mão, inclusive o talho do brasão da República Federativa do Brasil sobre o encosto.

 

As informações constam no relatório final de uma comissão de servidores criada, exclusivamente, para reavaliar o patrimônio da Câmara. No caso da cadeira, o embasamento partiu de funcionários do Museu Histórico Municipal: Alex Gimenez Sanches, Luiza Cristina Mendes da Silva Barbosa e Cleide Biancardi.

 

Além do valor cultural inquestionável, a madeira utilizada na cadeira é maciça, de lei e já extinta, embora não seja possível precisar qual tipo de produto foi utilizado para a produção da poltrona, com braços em madeira e couro gravado, além do assento e do encosto ornados.

 

A avaliação generosa não se limita, no entanto, à cadeira do presidente do Legislativo bauruense. As outras duas poltronas da Mesa Diretora, onde sentam o primeiro e o segundo secretários, valem R$ 10 mil cada. 

 

O curioso é que, quando foram avaliadas pela última vez, em 1950, as três cadeiras eram avaliadas a valor equivalente a apenas R$ 50,00.

 

MAIS

 

A cadeira da presidência também não é o mais caro dentre os móveis do plenário. A mesa principal, onde se sentam os vereadores da Câmara Municipal, foi avaliada em R$ 30 mil, antes os R$ 80,00 estimados há 64 anos.

 

As duas mesas que ficam na lateral na arena dos embates legislativos valem R$ 10 mil, individualmente.

 

MENOS

 

Já à tribuna de onde discursam os parlamentares foi atribuído o menor valor entre os imóveis antigos, talhados à mão: ‘apenas’ R$ 4 mil. Isso porque o móvel, esculpido em cerejeira escurecida, foi produzido apenas em 1993 e, à época, já valia R$ 1.341,00.

 

As duas bancadas reservada à imprensa no plenário, juntas, também estão avaliadas em R$ 4 mil.

 

ARTE

 

Os itens de muito valor não estão restritos ao plenário do Legislativo de Bauru. Na sala de vereadores, há um

quadro do artista plástico bauruense José Baccan, avaliado em R$ 4 mil, além de mais duas cadeiras de madeira talhada, por R$ 10 mil cada. Datado da década de 1960, a obra já chegou a valer R$ 1,00.

Já na sala da Consultoria Jurídica, há uma grande estante para livros, de madeira imbuia, de R$ 10 mil.

 

FORA DA CONTA

 

Outros trabalhos em madeira talhada, também confeccionadas por marceneiros da NOB, jamais foram listados como parte integrante do patrimônio da Câmara Municipal. Um deles é o painel, localizado atrás da mesa da presidência, com 3 metros de altura e 4,87 metros de comprimento.

 

Outros painéis estão instalados nas paredes laterais do plenário, com até 13 metros de comprimento por 1,85 metro de altura.

 

“Tudo isso agrega um valor histórico ao prédio da Câmara, mas não está relacionado ao patrimônio da contabilidade”, pontua o relatório.

 

Levantamento completo

 

Presidente da comissão criada para calcular o patrimônio do Legislativo de Bauru, a servidora Vera Regina Agnelli explica que os trabalhos tiveram início em outubro de 2012. “Cumprimos uma exigência que a Secretaria do Tesouro Nacional requisitou de todos os órgãos públicos”.

 

Apenas poucas avaliações, no entanto, foram feitas com ajuda dos representantes do Museu Histórico Municipal. Para a obtenção da maioria dos preços atualizados, foram pesquisados pelo menos três orçamentos de produtos semelhantes pela internet, em lojas virtuais.

 

 

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