Tribuna do Leitor

Obrigado, Dr. João Trentini!


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No corredor, pendurado defronte à UTI do hospital Unimed em Bauru, o relógio marcava 11h30 da manhã. De repente as portas se abriram para a fila de parentes que aguardavam, cada qual com o coração apertado pela angústia e incerteza. Na entrada, vestindo um terno preto e camisa branca, o segurança orienta: - Por favor, lavem as mãos e guardem as bolsas no armário e levem a chave. A sala era enorme e arejada, com janelas de vidro que favoreciam a entrada da luz e através das quais se podia ver o céu e as árvores lá fora.

Tudo era novo e moderno, cortinas brancas separavam os leitos que rodeavam a sala. No centro, uma ilha, onde ficavam os computadores e aparelhos de primeira linha e os integrantes da equipe médica e enfermagem. Minha mãe estava logo no primeiro leito à esquerda. Deitadinha lá, ligada aos aparelhos de monitoramento do coração, os olhos fechados, o semblante pálido, ressaltando, na face, o cansaço da vida e as várias rugas de quem, com 90 anos, já sofreu a perda precoce de uma filha e marido. Cheguei perto dela, segurei suas mãos inertes, mãos que outrora já haviam pintado telas, costurado vestidos, preparado quitutes, regado flores e nos afagado os cabelos... então, chamei-a: - Mãe! Sou eu, mãe, a Rose. Minha irmã fez o mesmo. Seu rosto não mostrou nenhuma reação. Logo aproximou-se um médico alto, de olhos claros muito doces, mas muito sérios, olhos inteligentes, olhos de quem já presenciou muitas perdas, de quem já viu muita dor e compreendeu. Era o doutor João Trentini, médico chefe da UTI. Atencioso e educado, nos colocou a par da situação, com palavras que demostravam propriedade, conhecimento de causa e elevado conhecimento científico. Nos onze dias que se seguiram, o estado geral da minha mãe foi melhorando, aos poucos. Diariamente, eu entrava e me deparava com o enfermeiro que, com muita paciência e ternura, inseria o alimento em sua boca, aos pouquinhos, para que não engasgasse, enquanto dizia: - "come dona Helena, para ficar forte. Isso mesmo, muito bem...".

Coisas assim não têm preço. Apesar da alta da UTI, o doutor João Trentini colocou-se à disposição para orientar a mim e à minha irmã sobre quaisquer dúvidas que tivéssemos a respeito da situação grave e praticamente irreversível em que minha mãe se encontrava. Não é um jaleco branco que define um médico de verdade, não é uma insígnia de cobra no chaveiro ou a palavra "doutor" antes do nome, mas sim a atitude profissional e antes de tudo humana que o define. O verdadeiro médico trabalha com pessoas, com o olhar, com o sentir. Precisa gostar de gente. Precisa ter a a capacidade de entender a dor do seu paciente e familiares e auxiliá-los no que for possível. No nosso entender, o dr. João Trentini representa tudo isso. Infelizmente, minha mãe veio a falecer, mas agora que tudo passou e a natureza seguiu seu curso, levando-a para outras esferas. Na inevitabilidade da morte, queremos deixar registrado aqui que a segurança e competência com que esse profissional atuou neste caso são dignos de uma empresa da grandeza da Unimed. Obrigada, doutor João Trentini, não apenas por seu alto grau de sabedoria e sensatez, mas principalmente por ter nos estendido a mão num momento de total desespero em que nos encontrávamos. Homens como o senhor realmente enobrecem a profissão de médico. Não temos palavras para expressar nosso profundo agradecimento.

Roseli e Marilene Crepaldi

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