Era dia 4 de janeiro de 2012. Nove horas e quinze minutos de uma manhã de sol escaldante. Levara minha filha primogênita, acompanhada de seu marido, meu genro, à Beneficência Portuguesa de Bauru, ao setor de endoscopia para o respectivo exame.
No interregno do tempo, entre a entrada dela no Hospital e o exame propriamente dito, estivera eu nos degraus de entrada, no aguardo do término dos exames, quando uma senhora magra, de óculos, com um curativo em uma das mãos, saíra do hospital, descera os degraus, eis que a mesma me cumprimentara, dizendo: "bom dia!".
Eu com o mesmo gesto de educação, respondi: "bom dia!". Instintivamente essa senhora retornara e oferecera um beijo em cada face deste articulista e dissera: "Irmão, eu não consigo cumprimentar sem beijar-lhe as faces, porque não me sinto bem; é meu costume fazer isso."
É através desses gestos que podemos perceber que ainda há, com raríssimas exceções, pequenos resquícios de amor ao próximo. Senti no gesto dessa velha senhora o verdadeiro espírito de amor ao próximo, pois ao tocar minha alma, desceram-me as lágrimas, percebendo eu, então, que ainda existe pessoa que transmite o sentimento de amor ao próximo.
"Ah... se todos nós tivéssemos o espírito como esse dessa senhora!" Viveríamos então num mundo infinitamente melhor do que este em que vivemos.
Adelino Pereira Bueno - Policial
civil aposentado