Sem ajuda dos pais, ela não consegue nem caminhar pelos cômodos da própria casa. “Quero muito andar sozinha e ter mais independência”. Esse é o desejo de Nádia Yussef Valderramas, 14 anos, que sofre de paralisia cerebral. Para que isso se torne realidade na vida da adolescente, ela necessita de um andador apropriado, que custa R$ 10.125,00. A família não tem condições de comprar e, agora, conta com a solidariedade da população.
“Começamos uma ‘vaquinha’ através de um site. Até esta semana, 19 pessoas haviam colaborado”, disse a mãe Sara Valderramas. A família arrecadou R$ 3.470,00, ou seja, nem metade do valor do andador. Agora, eles correm contra o tempo, pois o prazo para as doações no site expira em menos de 40 dias.
“É agora ou nunca. Ela está precisando urgente desse andador especial, que trará qualidade de vida como autonomia, melhora do trato intestinal, do condicionamento físico e cardiovascular, além de seu estado psicológico e fortalecimento muscular. Só que o equipamento é importado e só tem um representante no Brasil”, pontuou Sara.
Ela e o marido Paulo Sérgio Valderramas moram no bairro Jardim Eugênia, em Bauru. Além de Nádia, o casal tem outra filha, Lívia, de 12 anos. Autônomos, os dois fotografam festas infantis para garantir o sustento da família.
“Todo o nosso orçamento é comprometido com planos de saúde e equipamentos para o tratamento de Nádia. Ela usa uma tala com material resistente nas mãos e pernas. A gente paga de R$ 200,00 a R$ 400,00 e temos que trocá-los com frequência”, explicou Sara.
O andador, porém, propiciaria mais liberdade a Nádia. “Nós a seguramos pelo braço para dar sustentação enquanto ela caminha. O andador seria uma forma excelente de substituir o que fazemos. Os médicos e fisioterapeutas que a acompanham desde bebê dizem que ela não pode ficar só sentada”, reforça a mãe.
A DOENÇA
Nádia é portadora de encefalopatia crônica não progressiva, ou seja, paralisia cerebral. O diagnóstico, contudo, veio só aos s anos de idade. “Fizemos vários exames e ninguém conseguia definir com precisão qual era o problema da minha filha”, lembrou Sara.
E foi no hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto que veio a confirmação. “Uma médica explicou que ela teve lesão intrauterina, ou seja, faltou oxigenação no cérebro em algum momento da gestação”.
Desde então, a luta da família tem sido constante, uma vez que a ciência não descobriu a cura para a paralisia. “O que dá pra fazer são fisioterapias e tratamentos específicos para melhorar o movimento dos membros. Ela já foi submetida, inclusive, a duas cirurgias”, lembrou a mãe.
Como ajudar?
Para doar qualquer quantia, basta entrar no site www.vakinha.com.br e digitar na Busca “Andador para Nádia”. A página mostra a história da menina, quantia almejada e quanto já foi arrecadado.
Após clicar na opção “Contribua já”, será possível escolher o meio de pagamento: boleto ou cartão de crédito. Quem preferir, pode entrar em contato direto com a família pelos telefones (14) 3276-4607 ou (14) 9 9142-1451.
‘Ela fala que é tão feliz e isso acalma meu coração’
Apesar da paralisia no cérebro, Nádia leva uma vida praticamente comum e se mostra uma menina muito inteligente. “Ela concluiu o 9.º ano agora e foi uma das primeiras da classe”, orgulha-se a mãe. Ela garante que onde a filha vai cativa todos à sua volta com seu sorriso e alegria de viver. “Ela fala que é tão feliz e isso acalma meu coração”.
Segundo a mãe, Nádia é uma jovem antenada e adora passar horas em frente à TV. “Ela sabe tudo sobre os noticiários, gosta de ver novelas e programas esportivos. E, claro, ama passear no shopping”, alegra-se Sara.
E tudo é confirmado pela filha. “Gosto muito de televisão. Pedi uma de presente ao Papai Noel”, contou. Ao saber da mobilização dos pais e das doações para a compra do andador, não escondeu a felicidade e gratidão. “É o que eu mais quero. Agradeço a todo mundo que está ajudando. É legal saber que ainda tem gente solidária no mundo”.