Fotos: João Rosan |
|
|
Jhonatan Felip dos Santos, 18 anos, confessou o assassinato |
Na semana de Natal, Bauru registra um crime cruel e revoltante: “o assassinato de um pai de família”, conforme a própria população gritava. Um taxista de 76 anos foi vítima de latrocínio – roubo seguido de morte –, na tarde de ontem.
Celso Alves atuava em um ponto na praça Rui Barbosa quando foi abordado por um casal, um rapaz de 18 anos e uma adolescente de 16, grávida de dois meses, que solicitou uma corrida até o Mary Dota.
Lá, eles anunciaram o assalto e obrigaram o taxista a dirigir até um local ermo na rua Amadeu Cavalieri – via que dá acesso à lagoa do Quinta da Bela Olinda -, onde a vítima foi esfaqueada e teve R$ 43,00 roubados.
Após o crime, Jhonatan Felip dos Santos e a menor fugiram em direção a mata entre o Mary Dota e o Conjunto Habitacional Isaura Pitta Garms, mas foram vistos por uma testemunha e acabaram presos pela Polícia Militar (PM), cerca de uma hora depois.
Jhonatan confessou ter esfaqueado a vítima, alegando ter arquitetado o roubo para pagar aluguel da casa em que morava com a companheira, que também foi apreendida, no Ouro Verde. O crime chocou a cidade e a categoria (leia mais abaixo).
|
|
O táxi que a vítima dirigia ficou com as marcas do latrocínio |
O crime
O assalto ocorreu por volta das 14h40. A testemunha, um pedreiro de 33 anos, contou que chegou a ouvir uma discussão no carro, um Toyota Etios, enquanto passava pela rua Amadeu Cavalieri.
“Nos encontramos na rotatória. Eu segui atrás deles e percebi uma discussão. O carro acabou parando no acostamento e eu ultrapassei, mas estacionei logo à frente. Depois, vi um casal correndo para o mato e o senhor saiu de dentro do carro gritando, pedindo ajuda e sangrando”, narra o pedreiro.
A PM chegou ao local e acompanhou o socorro do taxista, que foi levado pelo Corpo de Bombeiros ao PS Central. A vítima, contudo, não resistiu e morreu logo após dar entrada no hospital.
Resposta rápida
Reprodução/Facebook |
|
|
O taxista Celso Alves tinha 76 anos |
Cerca de uma hora após o crime, o casal foi abordado pela PM na rua Alberto Paulovich, entre os bairros Mary Dota e Isaura Pitta Garms.
“Eles fugiram pelo mato e se esconderam em um rio. Depois que o helicóptero Águia foi embora, eles saíram, trocaram as roupas um com o outro e seguiram caminhando pela rua”, afirma o capitão Paulo César Valentin, coordenador Operacional interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).
Aos policiais, Jhonatan alegou ter golpeado a vítima após ela reagir. “O autor disse que teria uma dívida de R$ 1,4 mil de aluguel e que isso teria motivado”, detalha o capitão.
Após a abordagem, ambos foram levados de volta ao local do crime. Lá, Jhonatan indicou aos policiais onde havia jogado a faca utilizada, a cerca de 300 metros do carro da vítima.
Neste momento, um aglomerado de pessoas se formou no local. O acusado foi colocado na viatura sob os gritos de “assassino de pai de família”.
O casal foi encaminhado para a CPJ, onde o caso foi registrado como latrocínio pelo delegado Roberto Cabral Medeiros. O rapaz de 18 anos foi encaminhado ao CDP de Bauru. Ele possui passagem por ter participado do furto de carro.
Já a menor gestante foi levada para a Cadeia Pública de Pirajuí. Segundo o delegado, a pena é de 20 a 30 anos de reclusão para quem comete latrocínio, crime hediondo.
Douglas Reis |
|
|
Esposa de Celso Alves, Lucineida de Oliveira, durante velório do marido |
Despedida
Celso Alves era casado e teve quatro filhos do primeiro relacionamento. Ao saber da morte do marido, a esposa passou mal.
O corpo dele foi velado sob comoção e revolta de amigos e familiares na sala 2 do Centro Velatório Terra Branca, na rua Gerson França, quadra 5. O enterro foi realizado hoje, às 16h, no Cemitério do Jardim Redentor.
"Só porque são jovens acham que podem tirar a vida de um cidadão trabalhador. Tinha que ter uma lei mais rígida contra isso", desabafou Lucineida de Oliveira, 50, esposa.
Não dá para saber
A morte violenta do colega de trabalho chocou taxistas ds cidade. Presidente do Sindicato dos Taxistas de Bauru, Vitor Talão lamentou a morte de Celso, que, segundo a entidade, era cadastrado na profissão desde 2003 e associado ao sindicato desde 2008.
“Era um profissional exemplar, amigo e companheiro. Sob sol ou chuva ele estava lá ganhando seu dinheiro honestamente. Era um dos taxistas mais antigos da cidade”, comenta Talão. “Infelizmente, o criminoso não tem um perfil, hoje, eles estão bem vestidos e até engravatados algumas vezes. E também não têm idade. Temos que correr esse risco. Diante disso tudo fica apenas uma sensação de impotência”, enfatiza o presidente do sindicato da categoria.
Ele frisa que a entidade disponibiliza uma cartilha aos taxistas contendo dicas de precaução, mas a prevenção é difícil. “A bandidagem está em todo lugar. O pessoal, inclusive, tem medo de denunciar quando é vítima de furto, porque os furtadores sabem os pontos”, revela Talão.
Celso era um dos onze taxistas que atuam há anos nos pontos da praça Rui Barbosa.
|
Valor de uma vida: casal fugiu com os R$ 43,00 roubados |
Até quando?
A apenas dois dias do Natal, os familiares do taxista Celso Alves só têm motivos para chorar. E não só a família dele. Toda a sociedade também. Um senhor que, no auge dos seus 76 anos, ainda acordava cedo todo santo dia e saía para trabalhar foi assassinado por um casal marginal que tentava roubar R$ 43,00.
Os criminosos: um jovem de 18 anos, que, mesmo com a pouca idade, já carrega uma ficha criminal; e uma adolescente grávida de 16, que, mesmo carregando uma nova vida, contribuiu para interromper, de forma brutal, a de um trabalhador honesto. A família de Celso Alves chora. A sociedade chora. O JC mostra a nossa triste realidade, onde a vida nada vale para um criminoso.
É extremamente preocupante saber que muitos Celsos estão espalhados por aí esperando a sua vez de virar vítima. É assustador saber que as autoridades, principalmente o Congresso, não respondem de uma forma firme. É revoltante saber que a polícia trabalha muito para apenas “enxugar gelo” já que as leis e suas aplicações não têm se mostrado suficientes para, no mínimo, amenizar a dor da família, dar um pouco mais de segurança para todos nós e fazer uma mínima contrapartida em respeito à memória das milhares de vítimas da violência.
Presenciando mais um crime hediondo como tal, só nos resta questionar: até quando?
|
|
Faca usada no assassinato |



