Será que existe uma relação entre a economia e o Natal? Poderíamos correlacionar a economia e o Natal a partir dos desejos de consumo impostos pela sociedade capitalista, que passaram a ser inerentes a este período do ano. Nesta mesma linha, o ambiente de Natal remete a compras, diria, mais robustas para a ceia. Também seria possível pensar em Natal e movimentação da atividade econômica, afinal, o comércio sempre tem expectativa de boas vendas. É possível ainda pensar o Natal na ótica das viagens, do lazer, da ocupação da rede hoteleira, do aumento na procura por passagens aéreas e terrestres. É possível sim reduzir o ambiente de Natal, e mais especificamente o dia de Natal, ao consumo pelo consumo.
Sabemos que o Natal vai além desta relação. É fato que há muitas pessoas que concebem esta data como se as questões materiais, econômicas, esgotassem qualquer outra perspectiva que o Natal pudesse trazer. Outras pessoas, por questões ideológicas ou de crenças, não aceitam a figura de Cristo, portanto, não valorizam a data na dimensão que os Cristãos o fazem. É preciso respeitar opiniões, ideologias, crenças, enfim, o ceticismo em torno da data, mas independentemente desta perspectiva, fica evidenciado que o Natal é no mínimo mágico.
Em que momento do ano há tanto preparo para a data? Luzes nas fachadas, cartões de felicitações, preparo da casa para receber amigos e parentes, apresentações de corais, crianças encenando peças alusivas a data, a casinha do Papai Noel, árvores iluminadas e um sem número de motivos para enaltecer a data.
O Natal é mágico porque é capaz de tirar nosso foco do racional. O ambiente econômico de incertezas, que são reais, dá espaço ao abraço, à confraternização, mais que isso, dá espaço ao sonho de que dias melhores virão. Quantos voluntários não praticam a solidariedade? Quantas pessoas não estão com o coração aberto gritando com intensidade máxima: eu acredito no sonho, na magia do Natal, eu acredito em um mundo melhor. Somente o poder de Cristo seria capaz de canalizar tanta energia para simplesmente vivenciar o dia de Natal.
Se a economia como ciência tenta equacionar a escassez de recursos com as necessidades ilimitadas, o Natal se caracteriza pela abundância de corpos e mentes desejando um mundo melhor, que tem como inspiração a alegria estampada na inocência de uma criança que acredita em Papai Noel, no trenó e que o mundo é inocente, sem malícia, sem maldade, pode ser um verdadeiro carrossel iluminado.
Os mais céticos e racionais não podem, e ouso dizer, não devem ser reducionistas ao ponto de ignorar toda a dimensão que o Natal representa à humanidade. Corações e mentes abertas à singeleza deste dia permitem saborear a vida em toda sua dimensão, com energia para ser feliz e repartir a felicidade. Resta agora adicionar uma palavra ao tradicional Feliz Natal: tenham todos um Feliz e Santo Natal! É assim que o racional abre espaço à emoção de viver intensamente este dia!
O autor é economista e articulista do JC