O corpo humano é uma “máquina” perfeita capaz de se reprogramar, defender, regenerar, corrigir eventos agressores traumáticos e, assim, tecidos que perderam a vitalidade podem ter sua “energia vital” restabelecida a partir do toque suave das mãos. Na verdade, o indivíduo é quem pode realizar a autocura. Esta é a base, em síntese, da microfisioterapia, técnica de origem francesa que se espalhou pelo mundo a partir da década de 80, quando os franceses Patrice Bénine e Daniel Grosjean a apresentaram com formatação de terapêutica física, estrutural.
Na França, por sinal, ao contrário daqui, a microfisioterapia é serviço espalhado pelo sistema de saúde público, o equivalente a nosso SUS por lá. No Brasil, a intervenção em agressões no corpo passou a se difundir a partir, sobretudo, de 2005. Londrina (PR) conta com um dos principais entusiastas e especialistas no tratamento, Afonso Salgado. Mas o próprio Salgado tem repetido, por onde anda, que a técnica é eficaz, mas não ministrada para todos os tipos de doenças ou sintomas no corpo.
Em Bauru, a fisioterapeuta e especialista no método, Ana Paula do Prado Marques Ferreira, explica que a “microfisioterapia não elimina os tratamentos de saúde da medicina tradicional e nem a eles se opõe. É uma ferramenta complementar de eliminação de problemas crônicos de saúde para as indicações pesquisadas”.
A micro identifica onde está a “cicatriz patológica”, a agressão no corpo. Em geral, o corpo manifesta, em projeção, uma agressão de natureza psíquica, física ou tóxica. O toque suave com as mãos (micropalpação) identifica a ‘falta de vitalidade’ naquele local. “A eliminação é realizada também com a palpação. O método inclui uma série de técnicas, formas de palpação, todas suaves, que realizam a desobstrução da memória celular onde a agressão está instalada no corpo”, conta.
A origem das agressões pode ser pelas mais diferentes “portas”, do emocional ao físico, do tóxico ao biológico, do infeccioso ao psicossomático. “A identificação dos eventos agressores, a causa originária do problema em um tecido, em seguida permite que se desencadeie pela técnica um processo de auto cura. A micro é utilizada como tratamento preventivo ou curativo que tem ação direta na causa primária da célula que passa pela agressão”, acrescenta.
Informar o corpo
Na microfisioterapia, o corpo é “informado” sobre a obstrução no tecido, com o toque, e isso leva a um processo de auto cura. “Toda doença pode vir, de base primária, de um conflito, ou de uma relação com algo negativo que ficou ‘gravado’ na célula, no corpo. E o corpo manifesta isso, mas as pessoas não percebem”, situa Prado.
De outro lado, a microfisioterapia não vai trabalhar com os sinais agudos, por exemplo uma dor de estômago, mas sim com a causa primária. Eliminando a causa primária, automaticamente os sintomas amenizam ou desaparecem. “A técnica vai identificar de onde está chegando àquela dor. Por isso é que é uma técnica complementar à medicina tradicional. As pessoas devem buscar naturalmente seus diagnósticos e tratamentos na medicina. Mas, como ferramenta complementar, a microfisioterapia permite a identificação do tecido no corpo que manifesta o problema e a origem, a relação com a doença”, explica a fisioterapeuta especialista.
O tratamento é complementar à medicina alopata, mas, ao contrário desta, atua na origem e não apenas sobre a eliminação do sintoma, da dor. “Por exemplo, se a pessoa está com uma gastrite e trata a dor e os incômodos decorrentes, ela ataca os sintomas. Mas essa gastrite pode voltar porque a origem, a memória celular permanece. A microfisioterapia oferece oportunidade de cuidar da causa primária e, com o paciente informado, o processo de auto cura pode ser gerado”, enfatiza.
Embora o processo seja de apalpar o tecido para eliminar a “informação” de agressão ali registrado, a auto cura depende da reação ativa do paciente. “Se o paciente permanecer no conflito ativo sobre a agressão, a resolução não acontece. Essas origens podem estar em carga genética, em hereditariedade, em algo somatizado ao longo da vida. Mas uma vez identificada essa origem, é possível quebrar essa manifestação no corpo”, afirma Ana Paula.
Serviço
Para conhecer mais sobre a técnica e o tratamento com a microfisioterapia: (14) 99718-7667
Entenda a técnica
- O corpo é capaz de se adaptar e corrigir eventos agressores traumáticos, emocionais, tóxicos, microbianos ou genéticos
- Mas quando a agressão é mais forte que a autodefesa acontece a memorização do evento na célula, o que afeta a vitalidade dos tecidos
- O mau funcionamento das células em um tecido afeta o órgão e gera patologias ou sintomas físicos ou emocionais
- A microfisioterapia identifica essas “cicatrizes” na memória celular
- A palpação suave, micro, informa o corpo e o estimula na superação do episódio traumático, gerando a autocorreção
- Para uma corrente da medicina alopata há a crença de que o corpo não é capaz de auto correção. Na microfisioterapia a tese é de realizar autocura, reequilíbrio
Análise sobre o físico sem ser sobrenatural
A microfisioterapia não atua sobre análises psicológicas. É uma ferramenta estrutural sobre o físico, define a especialista Ana Paula. E não tem nada de sobrenatural, místico ou espiritual na intervenção.
Na prática, o microfisioterapeuta identifica o tecido onde está manifestada a agressão e estimula o próprio corpo à autocura, um processo parecido com a homeopatia e a acupuntura. A rigor, o que os orientais classificam como meridianos no corpo, os especialistas em microfisioterapia posicionam como vias. Há elementos de física quântica e embriologia na concepção do método.
As vias foram mapeadas pelos criadores da técnica. É salutar mencionar que cada corpo tem seu próprio poder de reação à agressão emocional, física, genética ou psíquica. Os “nós” não resolvidos formam uma memória celular negativa. A propensão a algumas doenças pode ter origem nessas ocorrências. “Os franceses Bénine e Grosjean desenvolveram o mapeamento de cada posição dos tecidos do corpo humano e as associações identificadas em pesquisa sobre a origem de doenças e perda da vitalidade celular”, cita.
O paciente é submetido à micropalpação deitado em uma maca. À medida dos toques suaves na pele, o fisioterapeuta tem as percepções celulares, localizando o que está tendo o fluxo normal de energia celular e o que está sem vitalidade. “Não tem nada de místico. Não somos escravos nem da genética, nem dos conflitos. O ser humano, informado da identificação de sua memória celular no tecido que apresentou a perda de vitalidade, pode e deve exercer sobre seu corpo a eliminação da agressão”, reforça.
Assim, prossegue a especialista, se há origem genética para uma agressão manifesta em um tecido do corpo, por exemplo, a microfisioterapia pode quebrar esse DNA e isso gera resposta que modifica a vida diante do problema. “O fisioterapeuta não atua como psicólogo. Ele somente apalpa e, com isso, informa o corpo sobre a localização do problema. Agora como o paciente vai resolver aquele conflito, é uma escolha dele”.
São necessárias no máximo três sessões para cada queixa do paciente, com duração de 50 minutos cada intervenção. “Muitas vezes em uma sessão a resposta já é suficiente. Isso varia para cada paciente. Em geral é necessário espaço de três semanas para que o organismo se recupere. É como se eu desorganizasse o organismo para ele se reorganizar”, argumenta.
O ‘detalhe’ da técnica, o que “assusta” e até cria “mitos” em quem não conhece ou duvida do método, é que a palpação permite ao profissional identificar quando, em que época da vida, aquela perda de vitalidade celular foi originada. “A microfisioterapia permite para vários casos identificar quando a agressão se instalou, se no início da gestação ou em um fato dos primeiros anos de vida, por exemplo”, defende Ana Paula.