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O mundo não vai acabar e nem mudar na virada do ano, mas se vivêssemos cada dia como se não houvesse amanhã, transformaríamos o mundo! |
No final do ano, parece que tudo acaba dia 31. E ela passou por uma situação difícil, viu a viola em cacos, a vaca indo para o brejo. Ufa passou! Desabafou: mudei a forma de encarar a vida. Fiquei pensando: ... e se me dessem 24h antes de morrer, o que faria?
Primeiro mandaria mensagens para meus desafetos pedindo perdão por não ter conseguido conquistar sua confiança e amizade! Vocês confiaram demais no que lhe disseram ou então interpretaram errado: afinal, não sou tão ruim assim! Mas eu tentei convencê-los.
Às mulheres infiéis mandaria um “whats’app” dizendo: me perdoem por vocês me traírem, mesmo que nem eu tenha sabido. Ninguém traiu ninguém, nem eu, cada um trai a si mesmo em seus sonhos originais, pois não eram perfeitos. Ao traído fica o caminho livre e o horizonte se abrindo!
Aos meus filhos, humildemente, diria: fiz o que pude, amei como sabia. Nem melhor, nem pior, apenas fui o que consegui ser! Desculpe, sei que falhei em alguns casos, mas tive boa intenção! Tentarei ajudá-los lá de cima. Grato pelo amor!
Aos professores, a de geografia foi preferida: me mostrou o mundo. A de história indicou como nunca ensinar, a de português me provou: nunca seja chato como eu! Ao professor de matemática escreveria uma carta muito especial, ainda que contrariado, você tinha razão: o amigo de meu inimigo não dá para ser meu amigo. Ele ensinava os sinais dos números assim: (-) negativo vezes negativo (-) dá positivo por que o inimigo do seu inimigo é seu amigo (+). O inimigo (-) do seu amigo (+) é igual seu inimigo (-). Por um tempo achei isto um absurdo, mas reconheço, ele tem razão.
Às professoras de francês e desenho cometeria uma provocação, ainda que eu estivesse à beira da morte: vocês tentaram várias vezes, mas não conseguiram me reprovar, bah! Ao diretor Arthur por 8 anos, pediria desculpas por usar insistentemente, de forma obrigatória é claro, a cadeira de visitas em sua sala todas as semanas. Algumas peraltices eu fiz, mas muitas só levei a culpa, mas sem mágoas, eu te perdoo!
Com meus irmãos poderia ter sido melhor, mas vetores da vida insistem em nos afastar como o big bang o faz com os corpos no universo. Cada qual com sua família: seria assim mesmo ou eu que não venci a força da gravidade? Neste pouco tempo que me resta, gostaria de partilhar mais algumas horas com vocês! Tá bom ..., podem levar as cunhadas.
Aos meus alunos declaro e vocês percebem: na minha essência eu sou professor, não conseguiria viver sem sê-lo. Estranho isto, mas esta é a missão que me sinto portador: difundir o saber. Me acho petulante pensando assim, mas o oceano é feito de gotas e eu pelo menos joguei algumas gotinhas por lá. Na viajem do partir, me sinto inseguro, confesso! Segurei em tantas mãos titubeantes, bem que poderiam me ajudar um pouquinho a partir em paz.
Aos amigos tenho muito a agradecer e quase nada a recomendar: foram cúmplices na arte de viver, confiaram e bancaram minhas maluquices, minhas ousadias, meus sonhos e até minhas rabugices! Me sinto privilegiado, pois alguns amigos são impagáveis e incomuns. Sem vocês não teriam feito quase nada!
Algumas pessoas nem sei como chamar: amigo, professor, tutor, chefe, líder ou mentor? Maria Dolores e Rafael me confirmaram no caminho do bem. Almir me disse: tem que ser assim, senão não vale! Oslei foi exemplar. Mas Vono foi determinante e salvador; já Catanzaro, o estimulador. A eles escreveria: grato por confiarem, sempre procurei não decepcioná-los e, se não consegui, tentarei convencer-lhes disso a cada hora até o fim porvir!
Pra minha mãe tenho que ser firme, ela não pode desanimar: mãe o seu tempo é hoje, o momento é agora. Mal sabe que, as vezes, pensei em entregar os pontos antes dela, mas minha dignidade não deixa! Para o meu querido pai não tem mais como enviar cartinhas, mas mensagens mentais procuro passar: pai, tô na luta sem desanimar, pensando positivo! Ele ia adorar.
Por fim, ao meu amor, mandaria um lindo cartão com dizeres fosforescentes: se não fosse você, eu já teria ido embora! E se um dia eu for, estarei esperando em outro plano, mesmo que demore ou que não venhas!
E você, se tivesse apenas um dia antes de morrer: o que faria?
Feliz 2015
Alberto Consolaro é?professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.
Observatório
Livro - Em “Apenas um Dia” de Gayle Forman, uma mulher organizada depois de curso integral de três semanas na Europa, conhece um ator sem destino e livre, que a convida para adiar os compromissos e ir com ele para Paris. A decisão impulsiona-a para um dia de riscos, romance, liberdade e intimidade: 24h que transformarão sua vida. Para nos encontrarmos, as vezes, precisamos nos perder primeiro!
Pra você! - Diz Dalai Lama: só existem dois dias do ano em que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro amanhã; portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver. O mundo não vai acabar e muito menos mudar na virada do ano. Curta cada dia e ame as pessoas como se não houvesse amanhã como cantou Renato Russo.
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