Douglas Reis |
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Chioro foi recebido por Rodrigo Agostinho, Fernando, Marcos e Milton Monti, no Moussa Tobias |
Em rápida passagem por Bauru, na manhã de ontem, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, anunciou que o curso privado de Medicina a ser instalado na cidade, por meio do programa Mais Médicos, deve realizar o vestibular para o ingresso de seus primeiros alunos no mês de julho para dar início às aulas já no segundo semestre de 2015.
Isso porque, na semana passada, o Ministério da Educação, que também atua na liberação desses cursos em 39 municípios do País, publicou o edital com o cronograma para a seleção das instituições de ensino superior interessadas em abrigar a primeira faculdade de Medicina de Bauru.
Desde ontem até o dia 23 de janeiro, as empresas interessadas deverão de cadastrar e, até o dia 6 de fevereiro, apresentar os documentos necessários para o pleito pelo curso. No dia 8 de agosto, será divulgada a classificação da primeira fase do chamamento público e, em 22 de maio, a publicação do resultado sobre a instituição vencedora do processo.
“Todos os prazos já foram estabelecidos. Se nada der errado e tudo sair como o programado, é possível fazer os vestibulares em julho e iniciar o curso em agosto. No entanto, existem os trâmites do poder público e, se houver alguma complicação com recursos, pode ser que o começo das aulas fique para o primeiro semestre de 2016”, ponderou Chioro.
O cronograma proposto pelo MEC, no entanto, já prevê que, entre 22 de maio e 5 de junho, insatisfeitos com o chamamento público poderão interpor recursos para contestá-lo. A divulgação resultado final da escolha, nesse caso, acontecerá no dia 6 de junho de 2015.
Mudança
Em setembro, o governo federal apresentou a primeira proposta para o chamamento público de instituições. A ideia era concluir todo o processo até dezembro para que os cursos começassem já no primeiro semestre do próximo ano.
No entanto, os representantes das faculdades interessadas em audiência promovida em Brasília na mesma época. Chiara Ranieri, diretora das Faculdades Integradas de Bauru (FIB) participou do encontro e criticou duramente o prazo de 15 dias proposto para que as candidatas a mantenedoras apresentassem a proposta pedagógica para a faculdade de Medicina, bem como o plano de investimentos para a viabilização do curso.
O ministro Arthur Chioro explicou ontem que, diante das divergências, o governo federal resolveu promover consultas públicas e acatou sugestões das instituições, dos municípios contemplados pelo curso e de outras entidades da sociedade civil.
“Como é a primeira vez que os cursos são abertos nessa modalidade, também houve algumas inovações na metodologia”, pontuou.
Interessadas
Inicialmente, seis instituições de ensino superior manifestaram interesse em abrigar o curso em Bauru. Porém, qualquer outra poderá aderir ao edital de chamamento público. Das seis que já haviam procurado o município antes da divulgação da seleção oficial do MEC, apenas uma é bauruense: as Faculdades Integradas de Bauru (FIB).
Outras três faculdades de fora, mas que possuem câmpus em Bauru, também têm interesse: a Universidade Paulista (Unip), a Faculdade Anhanguera e a Uniesp. As duas instituições interessadas sem atividade na cidade atualmente são a Universidade de Marília (Unimar) e a Faculdade do Litoral Sul Paulista (Fals).
Ministro teve agenda em São Manuel e Botucatu
Após ser recepcionado no Moussa Tobias pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), pelo secretário de Saúde, Fernando Monti, e pelo deputado federal Milton Monti (PR), o ministro Arthur Chioro seguiu para São Manuel, a 69 quilômetros de Bauru.
O prefeito da cidade, Marcos Monti (PR), também estava na comitiva que o recebeu no aeroporto.
Chioro visitou o Hospital de São Manuel, onde cumpriu o primeiro plantão médico de sua vida, conheceu as obras da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que está sendo construída para atender a população do município, de Pratânia e de Areiópolis, e participou da cerimônia da academia ao ar livre, localizada ao lado do complexo poliesportivo, no Centro. O equipamento foi construído com recursos municipais e estaduais.
Em Botucatu, o ministro visitou as instalações do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Chioro se comprometeu a buscar alternativas para o aumento de repasses do teto do Sistema Único de Saúde (SUS) para a unidade.
A ele também foi solicitada ajuda para que seja ampliado o número de vagas ofertadas pelo curso de graduação em Medicina no campus. Atualmente, são 90 por ano.
Foi na Unesp de Botucatu que Arthur fez a residência médica em saúde pública. Portanto, a visita possibilitou-lhe o reencontro com antigos amigos.
Milton Monti anunciou que apresentará emenda no valor de R$ 1 milhão para a aquisição de equipamentos para o HC.
Chioro também se reuniu com a diretoria da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp). Na pauta esteve a discussão sobre a renovação do título de filantropia para entidade. “Isso acontece a cada cinco anos e o ministro deixou claro que não vê problemas para a concretização desse processo, o que é bom, inclusive, para os hospitais que gerenciamos em Bauru. Com esse título, ficamos isentos da contribuição patronal com INSS”, explica o vice-presidente Antônio Rugolo.
Contrapartidas
Em portaria do dia 25 de agosto, o MEC definiu as contrapartidas que devem ser oferecidas pelas instituições: formação para os profissionais da rede de atenção à saúde; construção ou reforma da estrutura de serviços de saúde e aquisição de equipamentos para a rede de atenção à saúde; pagamento de bolsas de residência médica em programas de medicina de família e comunidade e, no mínimo, dois outros em áreas prioritárias - clínica médica, pediatria, cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia.
Além da melhora na infraestrutura da cidade, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, comemora o fato de que, para o curso de Bauru, 100 vagas devem ser criadas. Segundo ele, há estatísticas que apontam que cerca de 70% dos estudantes de Medicina continuam trabalhando na cidade em que se formaram profissionalmente.
Ele já afirmou também que toda a estrutura da rede municipal estará à disposição da futura faculdade de Medicina. Durante o processo em que pleiteava a aprovação do curso, Bauru também ofereceu o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel para dar suporte às atividades acadêmicas. Ambas as unidades são geridas, atualmente, pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), de Botucatu.