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Os "novos" caminhos da política econômica em 2015

Carlos Sette e Jorge Martins Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

O grande desafio do governo para o novo ano será a retomada do crescimento econômico, segundo consenso entre as mais importantes agências financeiras do país. Voltar a gerar emprego, rendas, consumos, incentivar e motivar o país à volta de um círculo virtuoso capaz de gerar uma série de ações positivas à nossa economia deverá ser teoricamente o grande foco.


Recentemente a nova equipe econômica, liderada por Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, adotou o formato de aumento nas taxas de juros, tanto em Selic quanto em TJLP, com a intenção de desestimular a demanda, derrubar paulatinamente a inflação e realizar as metas previstas para o superávit primário, que neste ano fechará próximo de R$ 10 bi.

No entanto, economicamente falando, ao aumentarmos os juros tende-se a reduzir o crescimento, uma vez que inibirá o consumo e trará ainda mais problemas às empresas. Desta forma, enfraquece-se o setor, o risco de desemprego é iminente e teremos o início da bola de neve negativa ao mercado, com problemas no acesso ao crédito pessoal, inadimplências e demandas ainda mais contidas.

A variante da fórmula não deveria ser a restrição do consumo e sim a elevação da oferta, para este processo obter êxito o grande motor seria o consumo no mercado interno desde que haja investimentos e incentivos que elevem a produtividade. Mais BNDES aos setores previamente estudados, menos tributação agressiva a outros setores igualmente estratégicos, mais segurança contra órgãos corruptos que sugam o markup do governo e certamente teremos um modelo econômico de melhores resultados.

Seguindo a análise da relação entre Dívida Pública x PIB, que hoje está em 62%, esta deverá ser ainda mais discrepante com o aumento dos juros no cenário atual, e consequentemente teremos novamente crescimentos reduzidos para os próximos anos. A saída do governo deverá ser outro arrocho tributário na intenção de equilibrar os cofres, a CIDE, o PIS/Cofins e o IPI deverão voltar para diversos setores e transferirá desta forma os recursos dos setores eficientes (privado) para os menos eficientes (governo).

Com a distância periódica das novas eleições presidenciais, o governo acredita que seja uma boa hora para dar as notícias ruins, a conta da reeleição chegou. Sem ações eficazes, a nova política econômica poderá até evitar uma queda no abismo, mas não impedirá que o país caminhe perto dele, já que seguimos cegamente em uma trajetória de mediocridade.

Os autores, Carlos Sette é economista, diretor de empresas, e Jorge Martins Jr. é economista com MBA em Finanças

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