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Portugal

Rui Bertoti
| Tempo de leitura: 2 min

Portucale era o nome de uma cidade da Galecia Romana, correspondente ao local em que hoje fica a cidade do Porto. Esta é a origem do nome de Portugal. Poderia ter explicado isso ao Joaquim e ao Manoel, dois amigos portugueses, que viviam no Rio. Uma vez o Joaquim me mostrou duas carteirinhas. ? Essa é para torceire! E me passou uma carteira do Vasco. ? E essa é para ajudaire, Me estendeu uma carteira da Portuguesa carioca. Os portugueses, a meu ver, apresentam-se numa posição de quem imagina ter uma superioridade. Afinal de contas são europeus. Joaquim e Manoel eram excelentes amigos. Sinceros, de palavra franca e corteses. Não sei se era porque se tratava de mim. Afinal de contas, dezenas de portugueses imaginaram que eu era português. Uma vez uma cachopa que servia num restaurante da rua Senhor dos Passos me perguntou. ? Tu pertences a Tras os Montes. Eu respondi... Não, eu sou paulista. E ela, Que nada! Não adianta escondeire! Não gosto muito do Vasco. Lá no Rio torço (torço não, Sofro) pelo mesmo time de Vinicius de Morais e Elizete Cardoso, o Botafogo-segundona. Do Vasco sou adepto dos ex-presidentes, Roberto Dinamite e Eurico Miranda. Um homem da TV perguntou ao Eurico se é verdade que ele não gosta de São Paulo. Resposta do carioca Eurico: ? Eu adoro São Paulo. Está certo que quando chego de avião desço a escada de costas, que é para voltar logo. Mas no fundo gosto da terra da garoa. Passei por uma certa decepção quando vi que Portugal tem a mesma população de 1996, ou seja, 10,5 milhões de habitantes. Isto quer dizer que a mesma quantidade de pessoas que morrem se iguala com a dos bebezinhos que nascem. Não sei se isso não causa algum tipo de depressão. Adoro Portugal. Uma terra que tem Eça, Camões e Fernando Pessoa não precisa de mais nada. E ainda aparece Saramago, de quebra! Tenha dó! Um pouco do que falo se origina na TV portuguesa. As novelas não são boas. Os artistas, homens e mulheres, empatam com os nossos. O que significa que não são bons. A pronúncia é esquisita. E pra quem gosta de fado, dane-se. Não se os ouve. A música que aparece é a do gênero Michael Jackson mal pronunciado. Parece um karaokê de segunda, cantado em festa de casamento pelo primo de um nubente. De vez em quando surge um maravilhoso fado. Mas são poucos. Infelizmente.

O autor é colaborador do JC

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