Algumas palavras definirão o que podemos esperar no contexto econômico em 2015. A primeira delas é que será um ano desafiador. Os desafios estarão presentes em todas as áreas. No âmbito do governo federal, o desafio é fazer a lição de casa. O tripé do controle econômico preocupa e muito. A inflação precisará ser contida. O processo de indexação econômica está presente e a inflação somente não será realimentada com os preços passados, quando o índice estiver mais próximo do centro da meta, que é de 4,5% ao ano. Enquanto a inflação rodear o limite da meta, ou seja, os 6,5% ao ano, a pressão sobre a inflação futura existirá. Tudo indica que a política fiscal austera e a política monetária apertada (principalmente taxa juros elevada) serão aplicadas para controlar os preços. Efeito colateral: baixo crescimento econômico.
Outra variável a ser enfrentada refere-se ao controle das contas públicas. O ano de 2014 foi marcado como o ano da péssima gestão do dinheiro arrecadado. Gastos exagerados para manter a máquina pública levaram o governo federal a passar vergonha ao não cumprir metas fiscais. Até mesmo a legislação vigente teve que ser alterada para enquadrar o desarranjo das contas públicas. Como colocado, austeridade na política fiscal terá que nortear as ações do governo. Já houve sinalização nesta direção, atacando alguns benefícios sociais até então vigentes.
E a terceira variável é a taxa de câmbio. O preço da moeda estrangeira tem oscilado muito, e para cima. Sem poupança interna é preciso atrair o capital estrangeiro, contudo, isso não pode ser feito a qualquer custo. Por trás de um dólar valorizado pode até existir entrada de divisas, tanto pelas exportações quanto para investimento especulativo, mas a chamada inflação importada coloca mais combustível no aumento dos preços internos. Lembrando que cerca de 30% dos preços que compõem o índice oficial de inflação são comercializáveis, seguindo, de alguma maneira, as cotações internacionais de preços.
Além de ser um ano desafiador, também será um ano de muita determinação. Os agentes econômicos, notadamente os que operam o setor privado da economia, deverão ser determinados no controle os custos, no fazer mais com menos, na busca de alternativas para sustentar as empresas. Isso vale também para os trabalhadores em suas carreiras. Será um ano ainda da criatividade. O consumidor será seletivo e as empresas terão que conquistá-lo de alguma maneira. Somente promoções não serão capazes de mudar o ânimo deste cauteloso consumidor. Despertar o desejo pensado estrategicamente será o divisor entre o sucesso e o insucesso nas vendas.
Neste contexto todo, é possível pensar em Feliz Ano? Por que não? Quem acompanha a economia brasileira sabe que nunca tivemos períodos longos de "céu de brigadeiro". Tanto que foi pinçada a expressão "voo da galinha". Muitos que conquistaram uma vida melhor no presente sofreram e sofreram muito para chegar até aqui. Empresas, empresários, trabalhadores e empreendedores de uma forma geral se fizeram convivendo com inflação de mais de 40% ao mês. A economia brasileira sempre foi desafiadora e não será agora que jogaremos a toalha. É o que passamos a chamar de otimismo realista. Otimismo porque sabemos do potencial econômico do País. Realista porque temos que fazer a lição de casa e esta é espinhosa.
Neste início de ano é preciso ter uma nova atitude para lidar com as questões econômicas. Quando o ambiente é de adversidade é o momento de sair da zona de conforto. É preciso entender que as mudanças virão e é preciso estar preparado para enfrentá-las. Não é preciso sair correndo sem rumo, mas é o momento de, sabiamente, ser ponderado, analisar cuidadosamente os cenários, o terreno que irá pisar, e ter poucas, mas importantes metas. Os sinais do mercado serão balizadores da condução do rumo das empresas e de nossas carreiras. Se o calendário é sábio em mudar a cada ano, nos levando a refletir sobre a nossa missão na terra, temos também que ser sábios para, antecipadamente, sabermos o caminho que queremos trilhar.
Para um ano que tende a ser desafiador, que exigirá determinação e criatividade, não devemos dizer somente da boca para fora: Feliz Ano Novo! Mas, sim, do fundo da alma, com maior ou menor dificuldade, dizer bem alto para todo mundo ouvir: que venha 2015 que estaremos de peitos abertos, reafirmando que seremos capazes de enfrentar tudo e todos, mantendo o firme propósito de fazer o melhor, sempre! Um grande ano a todos!
O autor é economista e articulista do JC