Uma verdadeira multidão tomou conta dos açougues que abriram ontem em Bauru. Os consumidores tinham um objetivo em comum: comprar carne para começar 2015 com churrasco entre amigos e familiares. Todavia, o problema de deixar as compras para a última hora é que quase todo mundo pensa desta forma, o que causa tumulto e acaba com o estoque dos açougues.
No início da tarde de ontem, a equipe de reportagem do JC visitou dois açougues da cidade e encontrou o pedreiro Enoque Felix da Silva, 44 anos, um dos “atrasadinhos”. Ele comprou 8 quilos de carne para receber mais de 30 pessoas em casa. Surpreendentemente, o homem se divertia na fila do estabelecimento. O pedreiro sequer se importou com a demora para ser atendido. “Hoje é dia de festa e a fila não me incomoda”, pontua.
O eletricista Claudio Cornélio, 60 anos, estava na fila do mesmo açougue. “Quando faço churrasco, sempre compro carne na última hora, porque ela está mais fresca. É um produto perecível, tem de ser adquirido um pouco antes de assar”, argumenta. Diante disso, Cornélio afirma que não pode reclamar do tumulto. “Mas estou feliz, consegui comprar o que eu queria”, comemora o eletricista.
Em outro açougue, a equipe de reportagem do JC encontrou o aposentado Nilson Assunção, 53 anos. Ele saiu do estabelecimento com um sorriso no rosto e a última peça de maminha que restou. “Nós já havíamos comprado carne, mas alguns parentes decidiram passar a virada conosco hoje (ontem). Pretendia, portanto, apenas fazer um reforço no estoque de carne lá de casa”, conta.
Já o mecânico Joaquim Arcenis da Silva, 55 anos, assumiu que deixou para comprar carne na última hora, mas por um bom motivo. “Eu trabalho até tarde e não consegui vir ao açougue na última semana”, explica o homem. Ele acrescenta que vai passar a virada em um churrasco em família, em que cada um leva o que come. “Começaremos 2015 com o pé direito e um bom churrasco”, deseja o mecânico.
Açougues
O proprietário de um dos açougues que o JC visitou, localizado na Vila Souto, Marcelo da Silva Arão, mal conseguiu dar atenção à equipe de reportagem. Enquanto conversava, ficava entre o corte da carne e o caixa. “Senhor, tudo deu R$ 50,00. As carnes de primeira, como alcatra e picanha, já acabaram, porque recebemos mais de 300 pessoas nas últimas seis horas”, reiterou.
Sidnei Calderari, gerente de um açougue situado na Vila Falcão, foi mais ousado. Nas últimas seis horas, havia atendido, pelo menos, 600 pessoas. “Na véspera do Ano Novo, nós temos aumento de 100% no movimento em relação aos demais dias do ano”, revela Calderari, sem titubear. “Contudo, o ruim de deixar para a última hora é que os melhores cortes já acabaram, mas todo mundo sai daqui preparado para comemorar a chegada de 2015”, conclui.
Samantha Siuffa/Divulgação |
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Marcelo da Silva Arão, proprietário de um açougue: “Os cortes de primeira acabaram”
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