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Dilma diz que em novo mandato vai oferecer 'o máximo possível' ao país

Folhapress
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Recém-empossada para o seu segundo mandato, a presidente Dilma Vana Rousseff, 67 anos, defendeu que será possível fazer ajustes na economia brasileira sem privar a população das conquistas já adquiridas. Em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, a petista afirmou ainda que irá "lutar" para oferecer o máximo possível aos brasileiros nos próximos anos.

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 Dilma acena para o público durante desfile antes da cerimônia de posse em Brasília

"Agora é a hora de prosseguir com nosso projeto, melhorar o que está bom e fazer o que povo espera de nós. Ao invés de simplesmente garantir o mínimo necessário como foi o caso ao longo da nossa história, temos que lutar para oferecer o máximo possível. Vamos precisar de paciência, coragem, equilíbrio e humildade para vencer os obstáculos. E venceremos. O povo quer democratizar cada vez mais a renda, o conhecimento e o poder", disse.

Dilma também defendeu as mudanças já sinalizadas na economia para recuperar a credibilidade do país e para colocar as contas públicas em ordem. "Vamos provar que se pode fazer ajustes na economia sem revogar direitos conquistados ou trair compromissos sociais assumidos. Depois de fazer políticas sociais que surpreenderam o mundo, é possível corrigir eventuais distorções e torná-las ainda melhores. Práticas mais modernas, éticas, mais saudáveis."

Na semana passada, Dilma autorizou medidas que restringem o acesso a benefícios sociais como seguro-desemprego e pensão por morte, embora tenha prometido durante a campanha que não mexeria em direitos trabalhistas.

Em seu discurso de posse, a presidente apontou como prioridades o combate à inflação, a preservação do emprego, principalmente com a manutenção da política de salário mínimo, e a redução das desigualdades. Ela defendeu ainda ajustes nas contas públicas.

Dilma assume seu segundo mandato com a economia estagnada e o discurso que adotou na campanha eleitoral em xeque, por causa das medidas que ela começou a tomar para arrumar as contas do governo, que devem fechar este ano no vermelho.

A presidente escolheu um economista de perfil conservador para ser seu próximo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele tem defendido mudanças para reequilibrar as finanças públicas e conter a expansão dos gastos do governo federal.

Apesar de, na semana passada, Dilma ter autorizado medidas que restringem o acesso a benefícios sociais como seguro-desemprego e pensão por morte, embora tenha prometido durante a campanha que não mexeria em direitos trabalhistas, nesta quinta, Dilma afirmou que tem o compromisso de manter todos os benefícios trabalhistas e previdenciários no país.

Dilma focou o início do seu discurso em defender os programas sociais criados desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que foram continuados em sua gestão.

"Esse projeto de nação triunfou e permanece devido aos grandes resultados que conseguiu até agora, e porque também o povo entendeu que este é um projeto coletivo e de longo prazo. Este projeto pertence ao povo brasileiro, e mais do que nunca é para o povo brasileiro com o povo brasileiro que vamos governar. A partir do extraordinário trabalho iniciado pelo governo Lula, continuado por nós, temos hoje a primeira geração de brasileiros que não vivenciou a tragédia da fome", afirmou.

A presidente iniciou sua fala exaltando o poder das mulheres no país. "Volto a esta Casa com a alma cheia de alegria, responsabilidade e esperança. Sinto alegria por ter honrado o nome da mulher brasileira. O nome de milhares de mulheres guerreiras, que voltam a encarnar o mais alto posto dessa nossa grande nação", disse.

O discurso feito por Dilma no plenário da Câmara é a sua principal fala durante a cerimônia de posse. Ela se pronunciará novamente, do parlatório do Palácio do Planalto, em uma breve saudação às pessoas presentes na praça dos Três Poderes.

Antes do seu discurso principal, Dilma e Temer prestaram o compromisso constitucional, que é um juramento público. "Prometo manter e defender a Constituição. Prometo observar as leis, promover bem geral do povo, sustentar união, integridade e independência do Brasil. Assim prometo", disse.

Após os juramentos, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), declarou Dilma e Temer. Empossados nos cargos de presidente e vice-presidente da República a partir de hoje até 31 de dezembro de 2017.

Calheiros comandou o rito da posse. Ele sentou-se ao centro da mesa do plenário da Câmara. Dilma sentou-se à sua direita e Temer à sua esquerda. Também compuseram a mesa o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o vice-presidente da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e o terceiro secretário da Mesa Diretora, Maurício Quintella Lessa (PR-AL).

Dilma é a primeira mulher a governar o Brasil e foi reeleita em outubro após a eleição presidencial mais acirrada desde a democratização.

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Recém-empossada para o seu segundo mandato, a presidente Dilma Vana Rousseff, 67 anos, defendeu que será possível fazer ajustes na economia brasileira

Posse leva cerca de 15 mil à Praça dos Três Poderes

A presidente Dilma Rousseff começou seu segundo governo com a metade do público que assistiu a seu discurso de posse há quatro anos.

Em 2011, a Polícia Militar de Brasília contou aproximadamente 30 mil pessoas ouvindo, da Praça dos Três Poderes e sob chuva, o discurso da então novata no cargo. Nesta quinta-feira (1), esse número foi de cerca de 15 mil, também segundo a PM, em um dia ensolarado.

Apenas quando contabilizado o que a polícia chama de público rotativo, ou seja, todas as pessoas que participaram, em algum momento, do evento desta quinta, mas que não necessariamente chegaram à praça, o número dessa segunda posse se aproximaria de 30 mil.

A expectativa inicial dos policiais era de que 100 mil pessoas comparecessem, mas ela foi reduzida para 40 mil logo no início do ato. O movimento começou por volta das 13h, manteve-se fraco por toda a tarde e não chegou a formar multidões.

Não houve incidentes graves. Um dos poucos momentos de tensão ocorreu quando um homem, segurando um cartaz elogioso ao adversário de Dilma no segundo turno, Aécio Neves (PSDB), foi xingado e empurrado por parte do público. A polícia decidiu retirá-lo do evento.

Apesar do esvaziamento, Dilma, ao discursar no Palácio do Planalto para a população que presenciava a cerimônia, afirmou: "Eu agradeço a vocês terem vindo de todos os cantos do nosso país nessa marcha da esperança".

O PT gastou R$ 2,5 milhões com a posse, incluindo custo com passagem de militantes, montagem de palco e shows. Para economizar, o partido cancelou ou reduziu o transporte de petistas de seus Estados de origem até a capital.No mês passado, o tesoureiro do PT, João Vaccari, alertou para as dificuldades de arrecadação. Ele sugeriu que os diretórios estaduais se mobilizassem para levar a militância.

Virada

Para a festa da virada, integrantes da cúpula do PT recorreram ao esquema da vaquinha. Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete de Dilma, e a ministra Eleonora Menicucci (Políticas para as Mulheres), organizaram uma festa com convites a R$ 300. A chegada de 2015 foi celebrada ao som do jingle da campanha de Dilma Rousseff. Os petistas comemoram aos gritos de "Quem não pula é tucano".

Em outra mansão em área nobre, uma festa foi organizada a custo de R$ 100 por pessoa. A mobilização não conseguiu atrair a base do partido. Incomodados com o desenho do novo ministério, a juventude petista boicotou a festa.

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