Aqueles que ousaram se opor ao regime militar foram presos, torturados e quando não mortos, julgados pela Justiça Militar e apenados com condenações elevadas, considerando que eram processados com fundamentação na Lei de Segurança Nacional. Esta mesma lei que previa pena perpétua e de morte para aqueles que ousavam contestar o regime arbitrário e tirano da época. Existem pessoas que criticam os trabalhos da Comissão da Verdade, arguindo que esta somente procurou levantar os casos de torturadores e mandantes de morte, esquecendo-se de buscar punição para aqueles que ironicamente e de forma desinformada são chamados de terroristas. Ora, estes foram presos, cumpriram penas ou mesmo foram desterrados, banidos do território nacional. Estes desinformados e desconhecedores da história querem duplicidade de punição? Em qual país do mundo o cidadão é punido duas vezes pela prática de um pretenso crime?
Uma viúva da ditadura cita Herzog como um que não era adepto da luta armada e mesmo assim foi preso, torturado e morto. Não só Vlado, podemos também lembrar de Gregório Bezerra, Rubens Paiva, David Capistrano e aqui na terrinha, de Edison Bastos Gasparini, Saad Zogheib Sobrinho, presos e perseguidos, acusados de defenderem a justiça social, coisa inadmissível para os militares e suas viúvas. Ora, um cidadão tem que ter o mínimo de discernimento sobre os acontecimentos para não correr o risco de falsear a verdade. Uma coisa é a morte em câmaras de tortura e outra é a morte em combate. O cidadão acusa o capitão do Exercito Darcy Rodrigues de ter matado um policial que fazia bico como taxista no Rio de Janeiro e estar impune até hoje. Ledo engano, pois o capitão foi julgado, condenado e banido do território nacional, em decorrência de sua luta oposicionista e se tiver dúvida desta afirmação que busque se informar, pesquisando nos arquivos históricos.
Na Argentina, Chile e Uruguai, os torturadores e seus mandantes estão sendo julgados e o mesmo deveria ocorrer no Brasil, com a diferença que estes falsos patriotas seriam julgados pela nossa Justiça, democrática e soberana e não por auditorias militares. A tortura é considerada, por organismos internacionais, como sendo lesa-humanidade, e desta forma imprescritíveis. Os torturadores brasileiros devem ser julgados para o bem do regime democrático.
Uma boa chinelada na região glútea é o que merecem os traidores do povo.
Antonio Pedroso Júnior