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Tolerância, conivência e omissão

Adilson Luiz Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Algumas generalizações estão bem próximas da realidade! É o caso, por exemplo, dos que consideram seus "direitos" e conveniências superiores aos de outros. Alguém aí já teve a experiência de responder: "Sim!" àquela pessoa simpática que pergunta: "Incomoda se eu fumar?"? Em caso positivo, não houve uma imediata alteração de humor do dito cujo? O mesmo vale para quase todos os que se aproximam alegres e simpáticos para, "quebrado o gelo", pedirem que você compre, compactue, experimente, tolere ou "dê um jeitinho". Se houver afinidade de interesses, será "juntar a fome com a vontade de comer". Senão... Maniqueísmo? Bem, experimente dizer: "Não!", mesmo com educação e dialética!

Você será taxado de intolerante, egoísta, preconceituoso ou sei lá mais o quê quando, em verdade, é o outro que tenta alcançar maliciosa ou viciosamente um interesse: você é apenas um meio ou potencial cúmplice! De outra parte, há pessoas que fazem qualquer coisa para serem aceitas ou justificadas; naus à deriva que aceitam qualquer "piloto" que lhes trave um rumo.Juntas, cobrarão tolerância dos outros, mas serão incapazes de controlar seus instintos e vontades. Alguns pagam para realizar suas vontades! E sempre há quem aceite o preço. Foi assim que nosso País chegou ao lastimável estágio atual! E o país é apenas um reflexo de uma parte significativa da sociedade, que quer direitos sem deveres, e vantagens sem merecimento.

Não se trata de uma opinião puritana, mas de percepção pessoal da atualidade, mas que também é histórica. Afinal, sempre houve alguém disposto a pagar por facilidades ou desejos, e não poucos tirando proveito ou aceitando, silentes ou omissos, seus desmandos, irreverências ou excentricidades. A alienação e a hipocrisia permeiam mentores e seguidores, que ignoram quão ambíguos e incoerentes se tornam na invocação de seus "direitos". Sentir-se-ão incomodados ? até vítimas! - por incomodarem; só aceitarão as regras com as quais concordarem; tentarão aliciar novos adeptos; dirão como as regras deverão se adaptar às suas vontades. Tudo para "serem felizes" em seus projetos de vida! E qualquer um que questione suas atitudes será, no mínimo, inconveniente: um chato!

Quem se posiciona contra "pancadões", algazarras, irregularidades e corrupção é chato? Se for, antes chato do que tolerante ou omisso! Está na hora dos que conhecem seus direitos e deveres abolirem a expressão: "Os incomodados que se mudem!" para "Os que incomodam que mudem!", mesmo que seja apenas de atitude. Isso vale para o país, para cada grupo social e para cada indivíduo! Senão, continuaremos a ser vítimas conscientes de outra generalização: "Quem cala consente!".

O autor é escritor, Engenheiro e professor universitário

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