Tribuna do Leitor

Vida pessoal


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Há momentos na nossa vida pessoal que parecem que nada entendemos. Talvez seja porque estamos em dias difíceis, ou simplesmente nada funciona mesmo, e não entender é apenas natural.

Passará, quando as engrenagens da vida ou do País forem consertadas, lubrificadas, postas em funcionamento sob uma direção competente e séria de condutores que se dão as mãos numa intenção comum: que as coisas melhorem profundamente cada dias mais.

Fora isso, é estar como agora estamos: novo ano, época de reajustes pessoais e familiares, de encontros, de confraternização sem hipocrisia ou de resolução: sim a gente vai melhorar.

Com relação ao País, vou tentar consertar a bobagem que eu fiz, vou ser mais alerta e cobrar muito mais, vou delatar as mentiras, as armadilhas, vou reconhecer os males, as chantagens, os métodos de compra e venda, vou encarar a realidade de que o País, ou a política, virou um mercado persa, vou prestar muita atenção.

Estamos todos boquiabertos com muita coisa que acontece: delações, provas, prisões, investigações e declarações de culpa ou de inocência.

Haverá gente suficiente para limpar o recinto e começar a transformar o País? Vai levar tempo para mudar, dizem os mais sérios. Quanto tempo? O tempo de ainda vermos tudo mudado no tempo da nossa idade e da nossa vida? A nós, comuns mortais, resta torcer, esperar, agir decentemente na vida pessoal, no trabalho, na turma, na família, conosco mesmos. Olhar a cara limpa no espelho a cada manhã e sentir-se bem: não tenho preço.

As coisas devagarinho vão melhorar, sobretudo a confiança, e que mesmo agora, ou especialmente agora, espia aqui, espia ali, faz uns acenos amigáveis, mas a confiança não se oferece aberta e inteira para sermos mais felizes e mais tranquilos. Ainda não, mas em breve, se os deuses permitirem, se os homens conseguirem, se a lei e a decência prevalecerem, se as feridas forem reveladas e tratadas e começarem a curar, se mais homens de bem ocuparem os postos mais importantes, se pudermos de novo olhar para a frente sem nos envergonharmos, aí possivelmente teremos um país convalecendo da longa e lenta enfermidade dos desinformados, dos iludidos, dos aviltados.

Que a confiança, dádiva de que tanto necessitamos, venha e permaneça por todo o ano que chega ainda tenso, estranho, para nós que estamos ainda muito perplexos.

Antonio Carlos Azevedo dos Santos

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