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Você já agradeceu hoje?

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Reprodução/Internet

Ser grato é reconhecer que outras pessoas também participam na produção de nossa vida

Entre os pedidos mais frequentes da maioria das pessoas para este novo ano estão aumento de salário, promoção no trabalho, o tão sonhado carro do ano e, de quebra, viagens. Mas o que deve ser valorizado? Quem você aprecia e como expressa sua gratidão aos outros? Hoje, é uma data propícia para refletir sobre isso, pois se comemora o Dia Mundial da Gratidão.

De acordo com a terapeuta holística Simone Kobayashi,  o ato de agradecer se resume em um momento para celebrar a vida, as paixões, a família, os amigos e “todas as pequenas coisas que trazem alegria no dia a dia”.

A especialista explica que a gratidão é um conjunto de vários sentimentos: amor, ternura e amizade. “É o reconhecimento de que não somos os únicos responsáveis pela nossa própria condição. Ser grato é reconhecer que outras pessoas também participaram na produção de nossa vida”, define a terapeuta.

A teoria de Simone Kobayashi é confirmada pela comerciante Ilda Viegas, 54 anos. Proprietária de uma banca de jornais há duas décadas em frente ao Aeroclube de Bauru, ela garante que reuniu tantos amigos nesse tempo que não consegue nem ao menos calcular.

“São tantos favores que recebi desde que estou aqui que seria injusto citar uns e acabar esquecendo de outros”, disse. Ilda vai além do simples fato de ser uma comerciante. Quem passa pelo aeroclube, acaba sendo, de alguma forma, auxiliado por ela.

“Cuido dos alunos que vêm visitar aqui. Sempre procuro ajudar todo mundo. Tenho um amigo que sai da fazenda só para pegar o jornal comigo. As pessoas que são importantes para mim estão sempre à minha volta. Isso é o meu maior presente”, comemora.

Amigo de longa data de Ilda, o aposentado Roberto Maldonado, 63 anos, vai à banca quase todos os dias. Motivo: ajudar. “Tomo conta da banca quando ela precisa sair. E sou muito grato a ela por isso, pois tem confiança em mim, em tempos que é difícil encontrar alguém em quem confiar”, orgulha-se.

Família e Deus

Qual a maior “dívida” de gratidão que você tem por alguém? Essa foi a pergunta feita ao aposentado e feirante Paulo Roberto Gasparini, 66 anos. A resposta veio rápida e direta. “Devo tudo o que sou aos meus pais, que me deixaram o maior patrimônio que alguém pode ter: educação, caráter e honestidade”, pontuou.

E o sentimento de gratidão na família de Paulo passa de geração para geração. Ao lado dele, o filho Orlando André Gasparini, 28 anos, não media esforços para ajudar o pai na feira. “Sou muito grato as meus pais, por terem me amado sem limites”, disse.

Para Orlando, que atualmente é funcionário público em Ribeirão Preto, o merecedor maior de sua gratidão é Deus. “No ano passado, sofri um acidente de carro e sobrevivi. Deus me deu outra chance. Tirei uma ‘nova certidão de nascimento’”, disse, emocionado.


Terapeuta dá dicas para que os dias sejam vividos com mais gratidão

A terapeuta holística Simone Kobayashi garante dias com mais gratidão a quem seguir algumas dicas como, por exemplo, meditar. “Somente uns dois ou três minutos pela manhã, para lembrar por quem ou pelo que você é grato. Feche os olhos e, silenciosamente, pense nas coisas e pessoas que fazem parte da sua vida”, explicou.

Outra sugestão é dizer obrigado quando alguém faz algo de bom a você e enxergar tudo na vida sempre de forma positiva. “Há sempre duas maneiras de olhar para alguma coisa. Muitas vezes passamos por algo estressante, perigoso, triste e difícil. Os problemas podem ser vistos como oportunidades para crescer e mudar como pessoa”, aponta.

Segundo a terapeuta, ver qualidades nos outros e tentar se concentrar nelas serve como incentivo  para as pessoas. “Essa mudança de atitude pode ajudar a melhorar o seu relacionamento com os outros, permitindo-lhes saber que você os aprecia como são”, define.

“Liste as coisas boas que aconteceram durante o dia. Antes de dormir, lembre-se de tudo que aconteceu de bom. Leva alguns minutinhos e você terá em um sono mais tranquilo e feliz”, garante Kobayashi.


Não confundir! 

Simone Kobayashi  faz um alerta: é importante não confundir gratidão com bajulação. Ela explica que não há hierarquia na gratidão e nem diferenças. “Sentir-se grato, com um sentimento constante de dívida impagável, pode não ser muito saudável. A gratidão é sempre boa na medida da alegria que a acompanha. E a angústia de uma dívida constante carece de alegria”, explica.

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