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Empresário que morou em Bauru presencia massacre

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Os sons que pareciam fogos de artifícios interromperam os preparativos de um jovem brasileiro que pretendia fazer um passeio com a família em um parque de Paris. Em viagem de férias na França, o empresário de 25 anos que nasceu em Lins e morou em Bauru presenciou toda a movimentação que sucedeu os ataques terroristas à sede do jornal satírico Charlie Hebdo.

Doze pessoas foram mortas na ação, entre elas oito jornalistas e dois policiais. Outras onze ficaram feridas – quatro permaneciam em estado grave até a noite de ontem (leia mais aqui). Gritos em defesa de Maomé foram proferidos pelos atiradores, o que reforça a tese de que o atentado tenha ocorrido em represália às ilustrações satíricas sobre líderes muçulmanos já publicadas pela revista.

O empresário, que preferiu manter a identidade preservada por medo, estava hospedado em um hotel a menos de 50 metros de distância da rua onde ocorreu o massacre. Passava das 11h (8h em Brasília), quando as primeiras rajadas de tiros, possivelmente vindas de metralhadoras AK-47, foram ouvidas.

“Na hora, pensei que fossem fogos. Então, fui para a varanda e vi pessoas correndo. Eram moradores da região. Em seguida, apareceu um policial correndo na direção contrária. Então, me abaixei e, quando olhei de novo, vi os dois homens armados e mais barulho de tiro”, relata.

Segundo o jovem, houve muita correria e tensão pelas ruas. A cada minuto, o número de viaturas de resgate e policiais se multiplicava em progressão geométrica. Ainda da varanda, ele pôde acompanhar a tentativa de socorro prestada ao policial que, já ferido, foi executado pelos atiradores no meio da rua.

“Eles (socorristas) ficaram muito tempo fazendo massagem cardíaca, mais de 10 minutos. Foi a única vítima que pudemos ver, porque as demais foram assassinadas dentro do prédio do jornal”, comenta. De acordo com o empresário, até as 20h do horário local, equipes ainda trabalhavam nas imediações da sede da revista.

Por pouco

O ex-morador de Bauru conta que não teve medo de o ataque ter uma extensão maior, mas afirma que só decidiu sair do hotel para ver de perto toda a movimentação quando se sentiu completamente seguro. “Quando desci, as ruas já estavam fechadas. Só podiam entrar polícia e jornalista nesta área. Mas conseguimos fazer algumas fotos, inclusive de uma das janelas do prédio, que foi atingida pelos disparos”, relata.

O passeio no parque programado para o início da tarde foi cancelado pela família e o resto do dia foi dedicado a acompanhar o noticiário pela televisão e Internet, além de verificar, vez ou outra, o que poderia ser avistado da varanda do hotel. Ontem, era o último  dia em que eles permaneceriam em Paris, após 15 dias de descanso na Europa.

“Foi realmente por muito pouco que não demos de encontro com os terroristas, porque estávamos todos prontos para descer do hotel naquela hora”, relata o jovem. Hoje, todos retornariam, sãos e salvos, para São Paulo, onde o empresário vive atualmente. “Graças a Deus”, garante ele.

E, quem sabe, também à sorte, ao destino, à Oxalá, à Buda, à Jeová e à Alá.

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