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O adeus ao profeta das ruas

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.

O pastor Varme de Oliveira, 77 anos, costumava levar a palavra de Deus aos frequentadores da Praça Rui Barbosa

Sempre alinhado, de paletó e gravata, e com um sorriso no rosto, o pastor Varme de Oliveira não tinha vergonha de levar a palavra de Deus pelas ruas e praças de Bauru. Na tarde de ontem, aos 77 anos, ele morreu vítima de um câncer de próstata. O religioso estava internado no Hospital Estadual de Bauru (HEB) há seis meses, tempo que ficou afastado da pregação.

O pastor nasceu em Avaí (39 quilômetros de Bauru) em 20 de abril de 1937. Já morou na Capital, onde trabalhou como vigilante, segundo o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I). Há mais de uma década, Varme pregava por lá e sua morte causou comoção.“Policiais também precisam de conforto espiritual e o pastor proporcionava isso toda semana. Sentiremos muito falta dele”, disse Kitazume.

O pastor deixou São Paulo para vir a Bauru. Por aqui, se casou, mas não teve filhos. Ele trabalhava como vendedor ambulante na região da Vila Falcão, onde morava com a esposa e seis enteados. Varme sempre foi evangélico, mas passou a se dedicar de corpo e alma à religião há 14 anos, assim que se aposentou e a mulher faleceu.

A partir daí, o evangélico começou a pregar na Praça Rui Barbosa, na Praça Portugal, no 4.º BPM-I, na Polícia Civil, na Polícia Militar Rodoviária, na Polícia Federal, entre outros. “Ele dizia que toda criatura tinha de receber o Evangelho”, conta a sobrinha Lúcia Meres dos Santos Siqueira, 64 anos, que cuidava de Varme.

Documentário

O pastor era tão conhecido pelos bauruenses, principalmente aqueles que frequentavam a região central, que virou até personagem do documentário “A alma encantadora das ruas”, lançado em 2007 e idealizado por Tiago de Toledo, recém-formado em jornalismo pela Unesp na época.

O corpo do pastor começou a ser velado ontem, às 19h, no Centro Velatório Terra Branca, na rua Gerson França 5-55, no Centro. Já o sepultamento está marcado para hoje, às 16h, no Cemitério Jardim do Ypê, na avenida José Vicente Aiello, no Parque das Nações.

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