Presidentes, o papa Francisco, reis, primeiros ministros, colunistas, antropólogos, cientistas sociais, pastores, bispos, sheiks, filósofos, milhões de pessoas ao redor do mundo, todos se manifestaram na imprensa mundial, jornais, revistas, televisões e redes sociais condenando as ações praticadas pelos três terroristas, que são jovens nascidos na França, de origem argelina, país colonizado pela França, ao Jornal Satírico "Charlie Hebdo", onde tirou a vida de 12 funcionários, dentre eles 4 conceituados cartunistas famosos em todo mundo.
O que ninguém falou até agora foi a respeito das enormes diferenças entre a liberdade de expressão com a libertinagem da provocação, como o próprio jornal tinha no seu slogan jornal irresponsável, e seus chargistas e cartunistas desafiavam todos os poderes, religiões, profetas, papas, presidentes, ninguém escapava de suas ácidas criticas, via caricaturas que normalmente incendiava ira e ódio aos que se sentiam ofendidos, principalmente os profetas e as religiões, como aconteceu com Jesus Cristo, Maomé, e outros que passaram por suas páginas semanais.
O que vimos com relação ao terrível ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo, foi o cumprimento da lei da causa e efeito, onde os terroristas, ao terminarem a matança na redação do jornal, gritaram em voz alta, "Alá é grande", e que "Maomé está vingado". Depois disso foi a indignação mundial que tomou conta das televisões, jornais, redes sociais, mais de 100 mil franceses foram protestar na Praça da República em Paris. Tem razão o historiador americano que disse que no Século XXI, as grandes batalhas não serão entre países e sim um Estado com seu aparelhamento de guerra contra o pior exército que eles querem enfrentar, que é o exército de um ou dois homens só. Veio à tona na França os grandes problemas sociais, como falta de acesso à educação e desemprego, que afetam principalmente os jovens muçulmanos nascidos na França, que são mais de 3 milhões que vivem nas periferias de Paris e são excluídos por não terem acesso ao emprego, universidades, já que seus pais vieram dos países colonizados pela França, como os jovens argelinos, que acabam sendo recrutados por grupos radicais islâmicos, como o EI.
O momento agora não é de homofobia ou radicalismo contra os muçulmanos. Se isso acontecer poderá virar o choque de civilizações, como escreveu em seu livro, Samuel Huntington, apesar dos partidos políticos de direita radicais já se manifestarem contra a imigração e o fechamento das fronteiras. Ao presidente François Hollande e seu povo, sugerimos que busque o diálogo e uma união em nível mundial com todos os países. Também coloque em prática os ideais da Revolução Francesa, que é a "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" entre os povos, para que, na era das incertezas em pleno século XXI, evitemos esse tipo de tragédia e as intolerâncias raciais, religiosas e imigratórias em todo mundo.
O autor é humanista e morador de Curitiba (PR). Email. Jpnaisser@hotmail.Com