Parece até notícia repetida, mas o rompimento de outra adutora resultou em mais uma cratera no Bela Vista. O problema é recorrente no bairro. Há 10 dias, um carro foi “engolido” por buraco, também provocado por um vazamento.
Ontem, técnicos do Departamento de Água e Esgoto (DAE) foram mobilizados para o reparo da tubulação de fibrocimento, medindo 12 polegadas, cuja adutora sai da Estação de Tratamento de Água (ETA) e abastece também a favela São Manoel.
O mais novo episódio da “novela” ocorreu na noite de quinta, no cruzamento das ruas Primeiro de Maio e Consolação, conforme o JC noticiou ontem. Por conta do buraco, o trecho permaneceu interditado até o final da tarde desta sexta.
Além do contratempo aos motoristas, moradores reclamavam da falta d’ agua e dos transtornos causados pelo trabalho de reparo da adutora, que contou com o auxílio de uma retroescavadeira.
O repositor Walisson Cesar Santos Messias, 23 anos, mora a poucos metros de onde se formou a cratera. Ele presenciou o momento exato em que o asfaltou cedeu. “Estacionei o carro e vi que mais dois veículos passaram pelo local. Segundos depois, formou uma bolha na rua e fez um ‘rasgo’ no asfalto. Poderia ter acontecido algo pior”, destacou.
Segundo Walisson, muita água e barro desceram pela via. “Ninguém sabia o que fazer, até que um carro do DAE chegou e começou a sinalizar”.
A reportagem esteve no local pouco após a formação da cratera e constatou grande quantidade de água vazando.
“Está direto assim aqui. Na quadra de cima, caiu um carro esses dias. A situação está insustentável. Sempre tem vazamento e muitos buracos”, criticou Walisson, referindo-se ao Gol que foi “engolido”, no último dia 29, por buraco aberto após um vazamento que foi reparado e voltou a apresentar problema horas depois.
Em relação ao rompimento desta semana, segundo o DAE, pouco mais de 3 mil imóveis existem no Bela Vista e na São Manoel. Contudo, a autarquia afirma que nem todos foram afetados pela falta d’água ontem, somente partes mais altas.
Providências?
Mesmo com os inúmeros casos de adutoras rompidas, o DAE não tem um plano para a troca integral de materiais antigos, uma vez que a maioria das adutoras em Bauru tem, em média, de 20 a 30 anos.
De acordo com a assessoria, ocorre a substituição só do equipamento danificado, após o rompimento. A troca, contudo, é feita por um material mais resistente – ferro dúctil.
Pressão
O secretário municipal de Obras, Sidinei Rodrigues, avaliou o trecho em que foi aberta a cratera devido ao rompimento da adutora e observou que há muita ondulação no asfalto, que foi recapeado há quatro anos.
“A pressão da água acabou provocando o buraco. Com o tempo, danifica toda a estrutura asfáltica. O fato das chuvas constantes no mês de janeiro, de certa forma, também influencia”.