Internacional

Buscas por suposta terrorista viúva prosseguem na França

Estadão Conteúdo com Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

A polícia da França segue realizando buscas para encontrar a viúva de um dos suspeitos de organizar os atentados terroristas ocorridos em Paris e nos arredores da capital francesa. Hayat Boumeddiene, 26 anos, ainda está à solta e é tida pelas autoridades do país como potencialmente armada e perigosa.

Boumeddiene é suspeita de ajudar o marido Amedy Coulibaly e os irmãos Said e Cherif Kouachi a tramar os ataques terroristas. A jovem casou-se com Coulibaly em uma cerimônia islâmica que não é reconhecida pelo governo francês, que utiliza o nome de solteira de Hayat para se referir a ela durante as buscas.

A suspeita nunca foi condenada por nenhum crime, mas arquivos judiciais sinalizam que ela era muito próxima a radicais islâmicos conhecidos pelos serviços de segurança domésticos. Boumeddiene também chegou a posar para uma foto em traje islâmico e segurando uma besta. Ela chegou a ser interrogada por agentes franceses sobre sua reação a ataques terroristas realizados pela Al-Qaeda. Na ocasião, a jovem respondeu não ter uma opinião, mas logo acrescentou que pessoas inocentes estavam sendo mortas por norte-americanos e precisavam ser defendidas.

A relação de Boumeddiene com os demais atiradores foi confirmada pela polícia após a análise de dados telefônicos, nos quais as autoridades descobriram que ela chegou a trocar 500 ligações com a companheira de um dos irmãos Kouachi.

Os três suspeitos de cometer os atos terroristas foram mortos pela polícia em ações realizadas na sexta-feira (9). O trio manteve reféns em uma gráfica e em um supermercado nos arredores de Paris durante horas, até que policiais invadiram os dois lugares. As operações resultaram em trocas de tiros e quatro dos reféns foram mortos, supostamente por tiros de Coulibaly.

França reforça proteção e se prepara para marcha em Paris no domingo

Philippe Wojazer/Reuters

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, conversa

com o Primeiro Ministro do país, Manuel Valls

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, anunciou neste sábado (10) que reforçará o atual dispositivo de proteção antiterrorista Vigipirate com meios adicionais para proteger instituições e espaços de culto ligados a muçulmanos.

Mais 320 militares foram destacados para essas funções, número que pode aumentar nas próximas horas.

A decisão foi tomada ao término da quinta reunião de crise do Executivo desde o atentado terrorista de quarta-feira (7) contra o jornal "Charlie Hebdo", que deixou 12 mortos e desencadeou o assassinato de uma policial na quinta-feira (8) e os dois sequestros de sexta (9), que acabaram com quatro reféns e os três sequestradores mortos.

Cazeneuve também falou sobre os preparativos para a manifestação convocada neste domingo (11) em Paris, para a qual são esperadas milhares de pessoas.

"Adotamos todas as medidas para que esta manifestação possa acontecer em um clima de recolhimento, respeito e segurança", disse o ministro.

O presidente da região da Île-de-France, zona que reúne Paris e suas cidades vizinhas, anunciou pelo Twitter que o acesso ao transporte público será gratuito no domingo, para facilitar a participação dos franceses na marcha.

O evento terá a presença de líderes europeus como a chanceler alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o presidente espanhol, Mariano Rajoy.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, também confirmou presença.

Em um discurso, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, pediu que os franceses se mantenham alertas.

"Sempre há caminhos para os terroristas entrarem aqui [na França] e há muitas pessoas envolvidas com o jihadismo. Há também ameaças internas. Nunca devemos baixar nossa guarda e temos que ser realmente fortes onde os inimigos da liberdade estão presentes", disse Valls.

Dilma manifesta apoio à Marcha Republicana em Paris

O Palácio do Planalto divulgou nota, por volta das 12h deste sábado (10), da presidente Dilma Rousseff em apoio à Marcha Republicana que acontecerá amanhã em Paris. O ato convocado pelo presidente da França, François Hollande, será uma homenagem aos membros da redação do semanário Charlie Hebdo, policiais e cidadãos franceses vítimas dos sucessivos ataques terroristas ocorridos nos últimos dias na capital francesa e seus arredores.

"Quero reiterar nossa mensagem inicial de solidariedade aos franceses e a seu governo. Manifesto, igualmente, a esperança de que a grande comoção que esses acontecimentos provocaram na França e no mundo seja o melhor antídoto contra futuros atos de intolerância e de barbárie", declarou a presidente.

Na nota, Dilma disse estar segura de que muitos brasileiros que vivem na França estarão presentes na Marcha. "O pensamento de meu governo estará convosco", completou. O embaixador do Brasil na França, José Bustami, representará o governo brasileiro no ato.

França: vítimas mortas em atentado a supermercado são identificadas

O Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF, na sigla em francês) divulgou na manhã deste sábado (10) o nome das quatro vítimas fatais de um dos atentados terroristas ocorridos nos arredores de Paris. As vítimas estavam em um supermercado kosher em Porte de Vincennes quando foram surpreendidas por Amedy Coulibaly.

Não se sabe precisamente se as pessoas foram assassinadas por Coulibaly antes ou durante a abordagem policial que acabou com a morte do suposto terrorista e a libertação dos reféns. As vítimas foram identificadas como Yoav Hattab, Philippe Braham, Yohan Cohen e François-Michel Saada.

Os homicídios no supermercado, especializado em alimentos que seguem regulações específicas do Judaísmo, chocaram a comunidade judaica e levaram o presidente da França, François Hollande, a pedir por união e criticar o racismo e o antissemitismo no país.

Centenas de milhares de franceses participam de passeatas silenciosas em diversas cidades do país para honrar a memória das 17 pessoas mortas nos ataques terroristas. No domingo, também será realizada manifestação em Paris, com a participação confirmada de Hollande, do primeiro-ministro britânico David Cameron e da chanceler alemã, Angela Merkel.

Comentários

Comentários