A região de Bauru está sendo cobiçada por empresas de pequeno e médio porte para a instalação de matrizes e filiais. A doação de áreas, a isenção de impostos e a facilitação na documentação tem atraído os empresários da capital, cansados de sofrer com trânsito e outras dificuldades.
Para o diretor de Desenvolvimento, Geração de Emprego e Renda de Lençóis Paulista, Altair Aparecido Toniolo, a região é a bola da vez. “Temos olhado o desenvolvimento de forma regionalizada. Acredito que estamos vivendo o momento da interiorização do desenvolvimento, Lençóis, Agudos e toda a região é a bola da vez.”
Além da infraestrutura disponível, Toniolo enfatiza a disponibilidade de energia elétrica, gás natural e especialmente água. “O gasoduto corta a região. No Distrito Empresarial de Lençóis está presente. Temos água de boa qualidade. Esses são itens atrativos. As coisas estão acontecendo na cidade e na região. As empresas descobrem os locais ideais para se instalarem.”
Na opinião dele, as cidades se estruturaram regionalmente para o desenvolvimento. “Temos a infraestrutura local. A facilitação das legislações municipais que permitem isenções de impostos. Estamos cercados de boas rodovias, hidrovia, aeroporto, enfim acesso as principais vias de transportes que atraem os empresários para as cidades da região. Os municípios se prepararam e com certeza estão acima da média nacional.”
O cadastro municipal de Lençóis Paulista mostra que a cidade tem 6.167 empresas ativas, que empregam 25.908 mil pessoas. Entre os anos de 2009 e 2014, foram abertas 2.338 empresas. Para cumprir as diretrizes municipais e gerar oportunidades aos moradores, o município investiu na educação profissional. “A Escola de Negócios é um projeto que objetiva a disseminação do empreendedorismo em cursos técnicos.”
O Distrito Industrial de Piratininga, por exemplo, tem mais de 70 lotes, todos ocupados e não tem mais áreas para instalação de empresas. O esgotamento é temporário, segundo a prefeitura. Algumas empresas não cumpriram os prazos de instalação e os terrenos serão retomados.
Na cidade de Agudos (13 quilômetros de Bauru), no ano passado, foram legalizadas áreas no Distrito Industrial para 20 empresas. “Os investidores vêm dos quatro cantos do Estado de São Paulo e devem gerar aproximadamente 300 empregos diretos. Os ramos são os mais variados, como transporte, produtos hospitalares, construtora, manutenção elétrica, fábrica de suco de laranja etc”.
Na cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) há oito distritos industriais. O mais recente já conta com 70 novas empresas de portes diferentes e segmentos variados. Para 2015, o prefeito, Daniel Camargo procura por áreas para instalar mais um distrito industrial. A ideia é atender a demanda crescente. Há lista de espera. A cidade possui 300 empresas já instaladas, algumas que ocupam apenas 400 metros quadrados e outras que chegam a ocupar 30 mil metros quadrados.
Agudos se transforma em alvo de grandes empresas pela localização
Agudos tem se tornado rota e porto seguro de investidores. Desde 2009, a cidade registra um aumento considerável de novos negócios, tanto comerciais como industriais. Especificamente em 2014, essa demanda só cresceu. A localização geográfica do município favorece bastante o panorama. A cidade é servida pela rodovia Marechal Rondon, uma importante via de acesso a grandes centros de distribuição, além de estar próxima do aeroporto Bauru-Arealva, que facilita o trânsito de empresários e o transporte de cargas.
Na opinião do prefeito Everton Octaviani (PMDB), os incentivos para os investidores apostarem em Agudos vão mais além desses diferenciais geográficos. “Acredito que esses investimentos são decorrentes do processo de desenvolvimento pelo qual passa o município. Também temos feito uma desburocratização total no processo de aprovação dos empreendimentos, claro, sem deixar de exigir dos investidores o rigoroso cumprimento da legislação que rege este segmento”.
O prefeito lembra que as grandes empresas da cidade passaram e passam por ampliações e as de médio porte estão se desenvolvendo e crescendo. “Muitos empresários de outras regiões têm procurado conhecer Agudos nos últimos anos com o objetivo de instalar uma filial no município ou até mesmo transferir a matriz.”
Os impactos dessa movimentação imobiliária refletem diretamente na economia local, com mais construções, mais recursos no comércio, inclusive no de materiais de construção, e mais vagas de trabalho. “É uma cadeia virtuosa. O resultado, graças aos incentivos que temos dado, tem sido o aumento da empregabilidade da população”, frisa o prefeito.
Em 2014, a prefeitura trabalhou na legalização de áreas no Distrito Industrial para 20 empresas. Os investidores vêm dos quatro cantos do Estado de São Paulo e os ramos são os mais variados, como transporte, produtos hospitalares, construtora, manutenção elétrica, fábrica de suco de laranja, confecções, manutenção industrial, fábrica de lajes, empresa de cenografia, produtos automotivos e artefatos de cimento. Juntas, elas têm capacidade de gerar 300 empregos diretos. Um dos investimentos é da Faga Medical, empresa de Bauru especializada na fabricação de produtos médico-hospitalares, como próteses mamárias. A estimativa é de que a filial seja inaugurada no DI de Agudos em um prazo de 18 meses. Cerca de 150 empregos diretos devem ser gerados.,
Redução de exigências
Neste ano, o prefeito de Agudos, Everton Octaviani, recebeu o prêmio “Prefeito Empreendedor”do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) por simplificar ao máximo a relação entre a prefeitura e os pequenos negócios. Entre as ações propostas, o prefeito destaca a redução da exigência de documentos e prazos no atendimento aos microempresários. Até dezembro do ano passado, o projeto permitiu que 883 negócios fossem formalizados em Agudos. De 2011, quando o “Sou Legal” passou a existir até o final de 2013, a cidade recebeu 735 novas micro e pequenas empresas. A prefeitura investiu na informatização de documentos, instalação da Sala do Empreendedor e treinamento de servidores.
Piratininga busca área para ampliar
A cidade de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) tem um único Distrito Industrial com 78 lotes, todos ocupados. Doze terrenos podem ser retomados pela prefeitura, porque não conseguiram cumprir a legislação em vigor.
Segundo o assessor de Planejamento da prefeitura, Reginaldo Salvadeo dos Santos, após a duplicação da rodovia, a demanda cresceu. “Estamos tentando ampliar. Depois da duplicação a rodovia SP-225 entre Bauru e Piratininga, a procura aumentou bastante. O nosso distrito fica muito próximo da rodovia.”
A estrada facilitou o acesso para a Marechal Rondon, que leva à Capital. Seguindo pela mesma rodovia, se tem acesso aos municípios da região de Jaú. Pela Rondon, sentido contrário, se tem acesso às cidades da região de Marília. Tudo isso fez com que o distrito seja cobiçado por empresários que enxergam os acessos como item facilitador para o transporte de cargas.
O único distrito tem 78 mil metros quadrados, enfatiza o assessor. “São 78 lotes com mil metros cada um. “Com essa metragem atraímos empresas de pequeno porte, da nossa região. Grandes indústrias nacionais precisam de espaço maior. Queremos ampliar, o prefeito procura por áreas que possam abrigar um novo Distrito Industrial.”
Santos enfatiza que a prefeitura já foi procurada por empresas da região dos segmentos de papel, entulhos, construção civil dentre outros. “Teoricamente não temos mais espaço. Mas estamos com 12 lotes que poderão retornar à administração local. Estamos pedindo a reintegração de posse, uma vez que os empresários contemplados deixaram de cumprir o prazo para a instalação da empresa.”
Antes de acionar os empresários judicialmente, a prefeitura está convocando-os a justificar o não cumprimento da legislação municipal.
Segundo o diretor, dependendo do caso a administração oferece isenção de impostos por até 10 anos, como incentivo para instalar unidade no município.