Ciências

Adeus taxistas e motoristas!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

Ilustração

O interior dos automóveis inteligentes será muito diferente dos atuais!

No mundo intelectual a discussão ferve e mesmo os mais otimistas já jogaram a toalha: gradativamente teremos que conviver com computadores inteligentes tais como nós e depois, teremos que dar lugar a eles por ficarem mais inteligentes com o tempo! As máquinas têm grande capacidade de aprendizagem. É uma questão de anos em poucas décadas.

O desemprego que assolou os anos 90 foi uma onda de substituição de mão de obra humana por sistemas computacionais e robôs. Agora teremos uma nova onda de desempregos decorrentes de máquinas inteligentes ocupando novas funções. Motoristas serão dispensados e dirigir um carro passa a ser função de computador. Taxistas e caminhoneiros são profissionais em extinção!

Foi assim com carroceiros e condutores de charretes, também o será com motoristas profissionais. Você entrará no carro, colocará o cartão ou digitará a senha do destino e o carro te levará de forma segura, o mais rapidamente possível ao local. Tal como as cidades se reprogramaram para deixar carruagens, charretes e carroças, também o farão para carros, ônibus e caminhões sem motoristas! Chaves de carro não existirão mais e muito menos câmbios manuais! A direção como conhecemos, perderá sua função!

Evolução?

O assunto do momento é a inteligência artificial e quando ela nos superará. As máquinas ficaram mais inteligentes e correremos riscos de extinguir-se como espécie. Os espiritas kardecistas acreditam que a terra está deixando de ser um planeta destinado a provas e expiações. Estamos entrando num estado transicional para um planeta de aperfeiçoamento moral um pouco mais elevado.

As vezes ficava em dúvida sobre como seria esta evolução moral e civilizatória na terra, mas minhas reflexões foram subitamente iluminadas. Pode ser que as máquinas inteligentes nos substituam gradativamente em alguns anos, pois elas aprendem rapidamente. Será que estas máquinas inteligentes que nos superam não estão sendo “assumidas” ou “incorporadas” por espíritos ou almas mais evoluídas e assim seremos gradativamente substituídos no controle do planeta?

Talvez este estado transicional de provas e expiações para um aperfeiçoamento moral seja exatamente a troca do corpo humano por um outro tipo de corpo: os das máquinas inteligentes! Vários cientistas, incluindo-se os mais destacados do mundo como Stephen Hawking, declaram explicitando sua visão de que a inteligência artificial muito em breve superará a humana e que estas máquinas superinteligentes podem colocar em risco a própria espécie. Não seria necessariamente as criaturas voltando-se contra os seus criadores humanos, apenas uma substituição da forma corporal predominante na terra, isto se considerarmos que os espíritos sejam os comandantes do corpo. Ou não seriam?

Inteligência artificial

As máquinas inteligentes além de aprender, conseguem interpretar diferentemente do programado. Elas interpretam o limite físico dos humanos como algo a ser descartado. Ainda mais, estas máquinas teriam a capacidade de dissimular pelo elevado grau de inteligência obtida. As máquinas inteligentes deixam de lado sua limitação de obedecer ou seguir vozes e movimentos humanos como comandos.

Em uma pesquisa do New York Times, CBS e Kaiser Family Foundation entre os americanos de 25 a 54 anos desempregados, 37% disseram que gostariam muito de trabalhar, mas a tecnologia que não dominavam impediam que encontrassem um bom emprego. Ainda entre eles, 47% disseram que sentiam com falta de educação ou capacitação necessária para os empregos disponíveis. Em outras palavras, as máquinas inteligentes que fazem a tecnologia atual já superaram a capacidade de muitos humanos.

Quando surgiram os computadores venderam-nos a ideia que fariam os humanos ter mais tempo para desfrutar a vida: foi tudo ao contrário, estamos ligados o tempo todo no trabalho, muito mais do que antes! Agora, economistas como Erik Brynjolfsson do MIT, sempre eles, vem com o discurso que máquinas inteligentes nos trarão mais riqueza e menos necessidade de trabalhar. Eu não acredito nisto: gato uma vez escaldado com água fervente, tem medo até de água fria.

Tô fora!


Observatório

Mais – O assunto máquinas inteligentes e inteligência artificial foi explorado pelo Professor Nick Bostrom da Universidade de Oxford no livro “Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies” ou “Superinteligência: caminhos, perigos e estratégias” pela Oxford University Press.

Atrasados? – Procrastinadores são os que adoram adiar até o limite máximo o que se tem a fazer, mas existe a arte e a ciência do procrastinar! John Perry explorou o assunto no livro “A Arte da Procrastinação: como realizar tarefas deixando-as para depois” pela Editora Paralela. Existe ainda a Precrastinação quando certas pessoas fazem tudo muito antes do prazo estabelecido.  Qual o equilíbrio?

Alberto Consolaro é?professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC.

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Email: consolaro@uol.com.br


 

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