Regional

Após tiros, prefeito contrata segurança

Lilian Grasiela e Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

 Reprodução facebook

Com medo de novo atentado, prefeito de Getulina, Fábio Augusto Alvares, o Gutão, diz que contratou dois seguranças particulares

Após o atentado do último final de semana, quando sua residência foi alvo de seis disparos de arma de fogo, o prefeito de Getulina (120 quilômetros de Bauru), Fábio Augusto Alvares (PMDB), o Gutão, contratou dois vigilantes particulares para cuidar da sua segurança durante 24 horas. Ontem, um autor de ameaças recentes ao chefe do Executivo apresentou-se à polícia, mas negou envolvimento no crime.

Conforme divulgado pelo JC, por volta da 0h do domingo, a casa do prefeito foi alvo de seis tiros, que atingiram janela de blindex da sala de jantar. Gutão acionou a Polícia Militar (PM) após ouvir a sequência de disparos, mas relatou não ter visto o autor do crime. Os policiais fizeram buscas, mas nenhum suspeito foi encontrado.

O prefeito alega que o primeiro tiro foi disparado quando ele aproximou-se da janela para apagar o cigarro no cinzeiro. “Quando eu fui pôr o cigarro, veio o primeiro disparo. Eu me abaixei, saí engatinhando e vieram mais cinco disparos. Eu peguei o celular no outro cômodo e liguei para a Polícia Militar”, narra.

Ele contou à reportagem que passou a receber ameaças de morte na tarde de sábado. “Um rapaz ligou me xingando, eu desliguei o telefone e ele foi em casa armado. Tinha três testemunhas”, diz. “Ele falou para a Polícia Militar que ia me matar, algemaram ele e ele continuou falando que ia me matar”.

Segundo o prefeito, o homem foi levado à delegacia e liberado em seguida. As ameaças teriam continuado quando eles se encontraram na rua logo depois. “Às 21h, funcionário da prefeitura veio na minha casa e avisou que ele tinha falado que iria me matar”, declara. “Às 23h30, houve os disparos”.

Drama

Segundo Gutão, o mais difícil nesse momento está sendo ficar longe da família. “Depois da ameaça, minha esposa saiu da cidade com meus dois filhos. E eu estou com dois seguranças particulares, 24 horas por dia, pelo menos até a polícia identificar quem foi o autor ou o mandante (do crime)”, revela.

“Hoje (ontem), na hora em que eu fui me despedir da minha família, minha esposa me perguntou onde eu vou matricular nosso filho para estudar, se ia ser na cidade do pai dela ou na nossa. Isso corta o coração. Eu estou sem minha família”.

Cobrança

O JC apurou que o autor das ameaças foi contratado por empresa particular como segurança para a festa do Ano-Novo. Ele não recebeu pelo serviço e, na semana passada, procurou a prefeitura para cobrar o pagamento, o que teria gerado um mal-estar entre ele e o prefeito.


Inquérito instaurado

Ontem de manhã, o autor das ameaças ao prefeito apresentou-se espontaneamente na delegacia e negou ter efetuado os disparos. Ele não teve o nome divulgado pela polícia. Segundo o delegado Artur Manoel Nogueira Franco, responsável pelo expediente em Getulina, foi instaurado um inquérito para apurar o caso. “O prefeito também foi ouvido e a gente aguarda as demais oitivas das testemunhas”, informa. “Não tem testemunha que viu ele atirando. São deduções que a gente faz. Tem uma lógica, mas não tem uma prova segura”.


Prefeito acredita em ‘crime encomendado’

O prefeito Fábio Augusto Alvares (PMDB), o Gutão, acredita que o atentado contra ele tenha sido “encomendado” por razões políticas. “Eu não posso falar que foi ele (autor das ameaças) que efetuou os disparos porque não vi, mas acredito sim que foi um crime encomendado porque não tenho desafetos”, afirma.

“Eu desbanquei uma hierarquia de três famílias que estavam há trinta anos no poder. Eu acho que esse rapaz foi usado como boi de piranha. Eu nunca tive nenhum problema com ele”. Apesar da sensação de medo, ele conta que continuará trabalhando pela população da cidade “com mais força do que nunca”.

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