Cultura

Lincoln Olivetti, arranjador de grandes da MPB, morre aos 60

André Barcinski
| Tempo de leitura: 2 min

Morreu anteontem, aos 60 anos, o maestro e arranjador Lincoln Olivetti, um dos nomes mais importantes da música pop brasileira e que trabalhou em discos de sucesso de Rita Lee, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben, Gal Costa, Balão Mágico e dezenas de outros artistas.

A causa da morte, segundo a assessoria de imprensa do músico, foi um infarto.

Nascido em 1954 em Nilópolis, na Baixada Fluminense, aos 14 anos Olivetti já se apresentava profissionalmente em bailes no subúrbio do Rio e liderava uma banda considerada uma das melhores da cidade.

Mas foi na virada dos anos 70 para os 80 que ele realmente se destacou: tocou e fez arranjos de metais em “Rita Lee”, LP que tinha “Lança Perfume”, “Baila Comigo” e “Caso Sério”.

Trabalhou com Jorge Ben em “Salve Simpatia”, fez arranjos para Gilberto Gil em “Não Chore Mais” e “Palco”, e para Tim Maia em “Eu e Você, Você e Eu” e “Acenda o Farol”. Criou o arranjo de “Um Dia de Domingo”, imenso sucesso de Gal Costa com participação de Tim Maia.

Olivetti fez trilhas de novelas, como “Dancin’ Days” (1978), “Baila Comigo” (1981) e “Mandala” (1987). Recentemente, criou arranjos do programa “The Voice Brasil”.

Em 1976, Olivetti conheceu o músico Robson Jorge (1954-1993), com quem gravou em 1982 o disco instrumental “Robson Jorge e Lincoln Olivetti”, uma joia da soul music brasileira.

Olivetti se especializou em arranjos festivos e dançantes, que alavancavam a vendagem dos discos, mas que nem sempre mereciam os elogios da crítica. “Fui acusado de pasteurizar a MPB, mas eu só estava fazendo o que julgava melhor para os artistas”, disse Olivetti, que era avesso a entrevistas.

Seus pares, no entanto, o idolatravam. Lulu Santos o chamou de “mestre dos mestres”. Pepeu Gomes considera Lincoln Olivetti “um músico sempre à frente do seu tempo, fora de série, com um ouvido absoluto”.

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