Política

Emdurb não quer dinheiro em circulares

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Os usuários do transporte coletivo da cidade poderão ser privados de pagar as tarifas com dinheiro dentro dos circulares. Essa é a intenção da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), segundo o presidente Nico Mondelli, que vai ao Ministério Público (MP), na próxima semana, para discutir a proposta.

A equipe do órgão responsável por regular o serviço se reunirá com o promotor do Direito do Consumidor, Libório Nascimento. “Certamente, a promotoria nos questionará quais serão as medidas tomadas para dar alternativas à população que, eventualmente, usa dinheiro para tomar os ônibus.”

Ele afirma que, para atender as possíveis exigências do MP, as empresas que operam o transporte coletivo – Grande Bauru e Cidade Sem Limites – terão que tomar medidas, como a ampliação dos pontos de vendas dos cartões, inclusive, aqueles comercializados de forma avulsa, com carga referente a apenas uma tarifa.

“Nós consideramos a medida importante para acabar com a diferença das tarifas para quem usa o cartão ou paga com dinheiro e, inclusive, para acabar com a taxa de integração”, explica Nico.

Outras cidades de médio e grande porte já aboliram a circulação de dinheiro em circulares, como Campinas e Ribeirão Preto, desde outubro do ano passado, e Maringá (PR) desde a última segunda-feira. Em Bauru, das mais de 26 milhões viagens contabilizadas pelo sistema no período de um ano, 5,7 milhões foram pagas com dinheiros, o equivalente a 22,2%. Em Campinas, por exemplo, onde a norma foi adotada para reduzir os casos de ônibus, esse índice era de 12%.

O principal questionamento quanto à medida gira em torno da dificuldade de usuários eventuais dos circulares que estiverem fora da região Central da cidade, onde a oferta de vendas dos cartões avulsos é menor.

Em Ribeirão, campanhas publicitárias foram lançadas para incentivar o uso do cartão, informando sobre a ampliação de 60% dos pontos de recarga, instalação de terminais de autoatendimento, ampliação dos horários de atendimentos em pontos de shopping centers e hospitais e criação de promoções, que possibilitam a concessão de prêmios aos passageiros no ato das recargas.

Reivindicação

Em Maringá, a circulação de dinheiro nos ônibus do transporte público foi extinta para dar cumprimento à lei municipal que proíbe os motoristas de exercerem a função de cobrador.

A movimentação para a implantação da mesma em Bauru também está vinculada a reivindicações desses profissionais. Nesta semana, motoristas da Cidade Sem Limites chegaram a atrasar a saída dos circulares reivindicando melhores condições de trabalho, incluindo o fim da chamada “dupla função”.

A mobilização da categoria partiu, inicialmente, do grupo de oposição ao Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran). No entanto, o assessoria da entidade, Nélio Souza Santos, diz que a direção é favorável à abolição do dinheiro nos circulares, mas pondera que a medida deve ser construída, por meio do diálogo junto ao poder público, às empresas que operam o serviço e ao MP.

“Dificilmente o cronograma apresentado pela Emdurb à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, que previa o fim do dinheiro a partir de 1 de maio, será cumprido.”

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