Malavolta Jr. |
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Pneus e madeiras foram queimados em ato contra a falta de estrutura no Jd. Ivone; ao lado, Kevellyn em imagem de celular |
Um protesto em alusão à tragédia com a menina Kevellyn Eduarda de Oliveira, 6 anos, atropelada e morta por um caminhão no Jardim Ivone anteontem, reuniu cerca de 200 pessoas no quilômetro 347 da rodovia Cezário José de Castilho (SP- 321), a Bauru-Iacanga, ao final da tarde de ontem.
Munidos de pneus e pedaços de madeira, manifestantes interditaram dois sentidos da pista e atearam fogo nos objetos, impedindo a passagem de motoristas que trafegavam pela via na altura na Vila São Paulo e Jardim Ivone. A situação gerou congestionamentos no trânsito.
O protesto teve início por volta das 17h30 e só foi terminar às 19h30, quando os moradores liberaram o local e as chamas foram contidas pelo Corpo de Bombeiros, que também realizou a limpeza nas pistas.
40 policiais
Por conta da proporção que o movimento tomou, já que além dos manifestantes, dezenas de curiosos se aglomeraram no local, a Polícia Militar (PM) requisitou auxílio à Cavalaria e ao helicóptero Águia, que monitorou a área. A Polícia Rodoviária também esteve no local.
De longe, um contingente de ao menos 40 policiais era visto perambulando em meio aos manifestantes.
Na pista sentido Iacanga- Bauru, os manifestantes chegaram a cercar alguns caminhões que tentavam seguir, queimando materiais em dois pontos diferentes da pista. Entre os veículos impedidos estava um caminhão-tanque.
“A manifestação é pacífica, mas estamos aqui para manter a ordem e preservar a integridade físicas de todas essas pessoas, além de evitar danos maiores ao patrimônio público”, afirmou o major João Costa Duarte, coordenador operacional do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).
Estrutura precária
Entre os manifestantes estavam Cleodeci Cardoso de Oliveira, de 44 anos, e Luiz Carlos Ribeiros, de 36 anos, avó e vizinho da menina Kevellyn, respectivamente.
“As crianças não tem onde brincar no Jardim Ivone. O bairro está largado, nossa única praça abandonada, por isso as crianças ficam na rua, mas quantas pessoas mais terão que morrer pra sermos vistos aqui?”, indagou Ribeiro.
Enxugando as lágrimas, a avó[o da menina também reclamava da situação.
“Minha filha está sedada, até agora em choque. Meu genro trabalha como catador de recicláveis e ganha pouco, quero ver quem vai nos ajudar agora com as outras duas crianças. Os políticos só aparecem aqui pra pedir voto”, reclamou Cleodeci.
Passarela
Além da falta de estrutura no Jardim Ivone, os moradores também cobravam explicações sobre a passarela do quilômetro 347 da rodovia em questão.
“Ela é curta, não pega as marginais, só a pista principal. As crianças e idosos continuam se arriscando na travessia entre os bairros. Pedimos uma solução, uma passarela segura, não isso que entregaram”, cobrou Ribeiro.
O projeto que contempla a tal passarela chegou a ser alvo de discussão na Câmara Municipal, provocado pelo vereador Natalino da Pousada (PV), mas nada foi alterado no papel ao longo da construção.
O vereador, inclusive, foi acionado por moradores e compareceu à manifestação ontem.
Lá, após longo diálogo, conseguiu acalmar os ânimos dos manifestantes e, prometeu que levaria as reclamações em relação à passarela para uma reunião, coincidentemente, marcada para hoje às 11h no Departamento de Estradas e Rodagem (DER), órgão responsável pela obra na SP-321.
“A reivindicação da comunidade é justa. A obra tem algumas deixas, não interligou os bairros por completo. Vamos pedir também mais sinalização e redutores de velocidade para as marginais”, afirmou o vereador.
Sobre a falta de estrutura nos bairros, ele disse que irá se reunir com o prefeito na primeira quinzena de março para cobrar mais atenção para essa região.
Trecho problemático
Chefe do setor de Educação para o trânsito e mobilidade da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Fabiana Aparecida Trevisan de Lima, reconhece que o local onde ocorreu o acidente com Kevellyn é um “trecho problemático”.
“Tem o desvio da rodovia (Marechal Rondon) por conta das obras, além de grande fluxo de veículos e muitas crianças no bairro. Sempre tem casos de atropelamento”, destacou. Segundo Fabiana, como meio de conscientização, a Emdurd promove, com frequência, atividades preventivas. “Ministramos palestras em escolas, fazemos teatros...”.
Menina brincava com linha de pipa na hora
Marcele Tonelli
Marcus Libório
O velório de Kevellyn Eduarda de Oliveira, 6 anos, foi marcado por muita comoção ontem, na Paróquia do Jardim Ivone. Ela morreu atropelada por um caminhão no início da noite de terça-feira enquanto brincava em frente à sua casa, na quadra 4 da rua Alfredo Gonçalves D’Abri. Enterro foi no Cemitério do Redentor.
Segundo a avó de Kevellyn, Cleodeci Cardoso de Oliveira, de 44 anos, a menina brincava com linha de pipa junto a um grupo de outras dez crianças quando foi atropelada. “Ela tentava desenroscar a linha na hora” conta Cleodeci, que chegou a desmaiar.
Tia da vítima, Adriana Cardoso de Oliveira, de 25 anos, presenciou o acidente e permaneceu o tempo todo junto da sobrinha, que morreu ao seu lado. “A última palavra dela foi ‘tia’”, disse.A garota tinha feito aniversário no domingo.